domingo, maio 01, 2016

Se Senna fosse um gajo normal...

Escrever sobre Ayrton Senna - embora possa parecer exagerado - custa tanto como escrever sobre o meu pai. Foi e é o meu ídolo! Não apenas dentro de pista, onde era extremamente combativo e um perfeccionista como nunca vi, como também fora dela, onde o Homem conseguia superar o piloto: ajudou - ainda em vida e depois através da Fundação Ayrton Senna - milhares de crianças pobres brasileiras a terem educação gratuita.

Assumir alguém como um ídolo - mesmo aos 32 anos - pode parecer exagerado. Mas hoje, mais do que nunca, partilho muitos dos ideais que Senna partilhava, especialmente nos anos 80 e 90 do século passado: luta, persistência, perfeccionismo e bondade. Se houve alguém que na minha opinião esteve perto da perfeição foi Ayrton Senna.

Passaram 32 anos! Lembro-me perfeitamente do dia como se fosse hoje. Tenho hoje praticamente a idade que Senna tinha aquando da sua morte. Senti a sua partida - ainda sinto hoje - como se de de alguém muito próximo se tratasse. Tive a felicidade de o ver ao vivo - no Estoril - e a tristeza de nunca o ter conhecido pessoalmente. Visto uma das suas t-shirts - a duplo S - com o mesmo orgulho com que ele a envergava.

Este texto, por ser tão pessoal, é naturalmente tendencioso. Mesmo assim, não há como não sentir - mesmo que 22 anos depois - a morte de alguém que fazia muita falta ao mundo do automobilismo e, principalmente, ao Brasil! Tal como na altura em que Senna começou a vencer corridas, o Brasil está novamente em crise! Hoje tem menos uma pessoa, de referência mundial, que lute pelos verdadeiros interesses do país.

Há 22 anos que o mundo está (muito!) mais pobre.

terça-feira, abril 19, 2016

Newton à rasca com o BPI

A Terceira Lei de Newton explica bem aquilo que vai ser este muito provável episódio da telenovela Portugal-Angola, BPI-Isabel dos Santos, e todas as outras possíveis/prováveis situações que aparecerem no futuro mais próximo. Ou seja, o que Newton explica nesta lei é que cada acção gera uma reacção. E neste ponto ninguém deve ter dúvidas.

Isabel dos Santos tem razão quando acusa o Governo português de aprovar um decreto-lei que é "deliberadamente parcial". Tem razão, mas não toda. Senão vejamos: o que está em causa é a chamada desblindagem de estatutos da banca, que nesta fase se aplica directamente ao caso BPI. Na prática, o que acontece nestes casos em que há "blindagem" é que um accionista pode ter uma posição de 20% numa instituição, enquanto os seus direitos de voto correspondem a apenas 6%. O que a desblindagem faz é acabar com esta deslealdade/desigualdade. Basta lembrar que a família Espírito Santos, que detinha 3% do capital do BES, controlava totalmente o banco!

O que a empresária angolana e qualquer pessoa com o mínimo de raciocínio facilmente percebe é que este decreto-lei foi delineado para o caso das negociações entre o Caixabank e Isabel dos Santos darem pro torto. Foi o que, aparentemente, aconteceu! E é então que, à boa maneira de um jogo de sueca, se apresenta o trunfo que estava guardado para o final. Mas será que este é mesmo o último trunfo a ser colocado na mesa?

A questão para mil milhões de dólares, neste caso, é saber-se quem vai sair por cima em todo este processo. Se o caminho for o das desavenças, ambos os países e empresas a eles associadas saem a perder! Aqui também não há dúvidas. Não é preciso relembrar as centenas de milhar de portugueses e empresas nacionais que encontraram trabalho em Angola nos últimos anos. E já agora, que fizeram muito dinheiro com isso! É igualmente escusado lembrar as participações que a empresária, que é também filha do Presidente de Angola, tem em empresas portuguesas.

O que me inquieta, no entanto, é a resposta à seguinte questão: teria este decreto-lei - em banho maria supostamente há algum tempo - sido aprovado se a economia angolana não estivesse a passar por um período de crise profunda, turbulência social e política e de desconfiança externa?




terça-feira, abril 12, 2016

O Banco Mau até pode ser bom

A Suécia já enveredou por este caminho há muito tempo, enquanto Espanha, Irlanda e, mais recentemente, Itália também recorreram àquilo que habitualmente se denomina de Banco Mau. É escusado perder-se muito tempo a olhar-se para os balanços dos bancos nacionais para se perceber que estão carregados de créditos de cobrança difícil ou, em alguns casos, duvidosa. O problema é que estes créditos pesam nos balanços, obrigam a provisionamentos e consequentemente limitam a banca numa das suas mais básicas funções que é emprestar dinheiro às famílias e empresas.

É por isso que o chamado Banco Mau pode ser bom para a banca e para a economia nacionais: porque limpa os balanços dos bancos e permite-lhes conceder novo crédito. Há consequências para o sector? Claro que sim! Terão de fazer 'haircuts', isto é, estes créditos serão sempre comprados a desconto. Basta olhar para Espanha e Irlanda onde, em média, o 'haircut' ultrapassou os 50%.

A questão central nesta equação é perceber-se se as vantagens de um veículo como este - que Governo e Banco de Portugal querem implementar - suplantam as desvantagens. E aqui a resposta, mesmo que pecando por simplista, parece óbvia: uma economia como a portuguesa não funciona sem concessão de crédito!

A ideia de António Costa é positiva, tem vários exemplos de sucesso na Europa, mas não está livre de algumas decisões difíceis. Desde logo a sempre necessária luz verde de Bruxelas para a criação de um veículo como este. E neste ponto em concreto é preciso saber-se que papel terá o Estado português no Banco Mau. Já se sabe que não são permitidas ajudas directas, mas poderão ser concedidas garantias estatais para ajudar a convencer investidores privados a comprarem estes activos "tóxicos". Aqui surge outra questão: então e as contas públicas? Que impacto orçamental pode ter uma medida como esta? A resposta a esta pergunta é talvez das mais sensíveis e difíceis.

Voltando à banca, esta terá sempre de aprovar a implementação do veículo, mas com impacto nos seus rácios de capital, significando muito provavelmente aumentos de capital. Outra questão sensível: estará o sector e os seus accionistas disponíveis para mais esta tarefa?

É preciso uma análise profunda ao tema da criação do Banco Mau em Portugal. Há respostas importantes que precisam de autorizações e consenso. Mas o mais importante é que estejamos a discutir estas questões e que se encontrem ferramentas que ajudem o motor da Economia portuguesa a trabalhar novamente a um ritmo mais acelerado, agora que os sinais de crescimento começam a ser menos tímidos!

domingo, março 27, 2016

Espanholização? Vamos lá ser sérios!

Há coisas que me parecem muito claras: quando não há capital é preciso procurá-lo; quem precisa de capital deve ser exigente mas q.b. porque não está necessariamente nas melhores condições para fazer exigências; a importância/valor desse capital varia em função da geografia?

Dito isto, há uma regra básica no mundo financeiro que é diversificar. E também neste caso, esta regra vale ouro. Mas mais uma vez, q.b.!

Não consigo perceber como é que nas últimas semanas pegou moda o termo "espanholização da banca".  Se o sector - ou parte dele - precisa de capital devemos criar entraves à entrada de mais capital espanhol? Ou chinês? Ou marroquino? Ou... Estará a opinião pública amnésica? Então e os negócios que se fizeram (e bem!) com capitais angolanos e chineses nos últimos anos?

Será que alguém acredita - verdadeiramente - que se por exemplo o Santander comprar o Novo Banco - que está em Portugal - vai defender mais os interesses das empresas espanholas do que portuguesas? Ou dos cidadãos espanhóis em detrimento dos portugueses, mesmo que em território nacional? A sério que é nisso que queremos acreditar? Como é evidente, espanhol ou não, fará os negócios que lhe forem mais rentáveis.

Já agora, gostava que me ajudassem a contar o número de empresas que estão em Portugal e que têm uma maioria de capital nacional? Será que quando fizermos as contas vamos revoltar-nos contra essa realidade porque, mais uma vez, não temos capital nacional suficiente para fazer face às necessidades que se impõem?

Se há assim tanta indignação, que se chegue à frente o capital nacional! Onde é que ele está? Que apareça porque tenho a certeza que será bem-vindo!




sexta-feira, março 18, 2016

Posso cair mas caio de pé

Não vou falar de gestões, direcções, rumos ou da falta deles. Vou centrar-me nas pessoas que fizeram o Diário Económico, salmão e em papel, durante 26 anos. Conheci alguns durante os seis anos em que estive no ETV. Conheci muitos outros que, não tendo trabalhado directamente comigo, tinham o Diário Económico, em papel, no seu percurso profissional. Mais importante: não esqueciam a sua passagem por lá e, muito menos, o facto de ser A referência em Portugal nos jornais económicos.

É estranho, muito estranho, que até ao último dia, que mesmo no último dia, o Diário Económico, papel, seja líder no seu segmento. É o mercado a funcionar. É a lei da oferta e da procura. E em relação a isso não há nada a fazer. Podiam ter sido seguidos outros caminhos, mas essa é outra história.

O que me preocupa é o que farão, a partir de hoje, os jornalistas - enormes na coragem e no empenho - que aguentaram com as próprias mãos o peso dos últimos meses: sem meios, sem salário, sem expectativas, sem vontade, sem nada! Fizeram o que tinham que fazer todos os dias, mesmo quando as mãos começavam a ceder devido ao esforço e ao desgaste. Não desistiram. Perderam esta batalha que, desde o início (sabiam!), era desigual e desleal. Eles sabem-no e eu também!

De nada vale, agora, elogiar estes verdadeiros guerreiros a não ser pelo singelo elogio ou por mero alívio de espírito. Eles merecem estas linhas. Ficam sem emprego, ainda com menos esperanças e continuam sem salários. Fizeram o que tinham de fazer até ao último dia. Foram profissionais até ao último momento.

Há um provérbio português que diz "posso cair mas caio de pé"! Foi o que fizeram...  

Faço minha a vossa manchete: obrigado por tudo aquilo que me ensinaram!

quinta-feira, março 17, 2016

Corrupção? Tchau querida!

O Brasil está a provar ao mundo que tudo é possível. Tem mostrado - e não é o único país a fazê-lo - que, se quisermos, a Corrupção e a Impunidade/Imunidade podem ser filhos do mesmo pai. Ou neste caso da mesma mãe.

A decisão de Dilma Rousseff de nomear Lula da Silva para Chefe da Casa Civil, um cargo de relevo no Brasil, é de uma gravidade intratável. Parece-me óbvio que todos devemos partilhar a máxima de que, até prova em contrário, todos são inocentes. O que não pode acontecer é nomear-se alguém, dando-lhe imunidade, para o livrar da justiça. Pode dizer-se que é injusto mas, mais importante, é intolerável que o chefe de Estado de um país o faça.

As manifestações numerosas do povo brasileiro nas ruas de pouco lhes vale. Liberta-lhes a alma mas Dilma e agora Lula estão reféns do poder. O primeiro não renuncia e o segundo aceita a porta para imunidade que acaba de lhe ser escancarada.

Na prática, Lula, ao aceitar o cargo de chefe da Casa Civil, vai poder ser investigado apenas pelo Supremo Tribunal de Justiça do Brasil. Fica, para já, livre de outras investigações. Ficará livre da crítica da opinião pública? Logo veremos por quanto tempo durará a memória do povo brasileiro.

Infelizmente, já se percebeu que não basta pedir a demissão de Dilma ou gritar "vergonha" e "ladrão" porque no Brasil - como noutros países - a corrupção está em todo o lado: na favela ou no bairro chique.

No filme Wall Street, Michael Douglas, no papel de Gordon Gekko, afirmava que "greed is good, now it seems it's legal". No Brasil parece estar a acontecer o mesmo. Não é apenas a ganância mas principalmente a Corrupção que parece estar a ser legalizada.

Só espero que, tal como disse Lula a Dilma na conversa telefónica agora divulgada, a resposta do Brasil à Corrupção seja: tchau querida!

terça-feira, março 15, 2016

A bicharada agradece

Demorou tempo (demais!) mas Portugal está a evoluir, finalmente, numa área que há muito deveria ter descolado mas que por imposição dos políticas adoptadas ficou a repousar na gaveta.

Daqui em diante - e até que se lembrem de alterar a legislação, as pessoas que tiverem animais e, por conseguinte, despesas com veterinário vão poder deduzir 15% do IVA. Trata-se de uma dedução automática, desde que seja pedida factura com número de contribuinte, até um máximo de 250 euros por agregado familiar. Pode ainda ser pouco, mas vale pelo princípio que defende!

Escusado será dizer que todos os portugueses que têm e amam os seus animais - e já agora, que os tratam com dignidade - ficaram imensamente satisfeitos com esta medida. Não pelo valor da dedução em si mas pelo princípio... porque já lá vai o tempo em que o animal estava preso com uma corrente no pescoço e "servia" apenas para guardar a casa.

Que esta nova legislação sirva também para que mais pessoas que têm animais os tratem com o respeito e carinho que eles merecem: que não se esqueçam deles nas férias ou que não os larguem quando se tornam adultos. Que os tratem como família porque quando os temos é isso mesmo que representam!






sexta-feira, março 11, 2016

Marcelo "O Sorridente"

Não era preciso esperar pela tomada de posse oficial do Presidente Marcelo para saber que o Protocolo, a Segurança e todas as variáveis que rodeiam o Presidente da República de Portugal iam ter de começar, rapidamente, a reformular-se porque tinham um problema em mãos. Ou melhor, não têm problema algum! Este é um Presidente porreiro, que quer estar próximo das pessoas. Não do povo. Percebem a diferença? Para ele só há Pessoas, Portugueses, aqueles que o elegeram e a quem deve também respeito.


Em poucos dias, Marcelo "O Sorridente" conseguiu centrar as atenções de todos: chegou a pé à tomada de posse; escolheu um discurso de união, citando Miguel Torga, e soube - sabe-o fazer melhor do que ninguém - conciliar. Foi isso que simbolizou a cerimónia inter-religiosa "sem precedentes" em que participou - e sobre a qual teve responsabilidades - na Mesquita de Lisboa.No dia seguinte foi ao Porto, num sinal evidente de que o país não é só Lisboa. No Sábado abre as portas do Palácio de Belém para receber os mais curiosos. E vai mesmo estar lá, ou não fosse ele o anfitrião.

Apesar de toda esta liberdade de circulação, Marcelo vai ter de adequar a sua personalidade ao cargo e agenda que agora assume. Terá muitos desafios pela frente e, certamente, decisões difíceis. Antecipar o seu mandato seria um acto de pura adivinhação. Ainda assim, o que fica, para já, é esta imagem de um Presidente que dá quase vontade de convidar para um café matinal para uma pequena conversa sobre as capas dos jornais do dia.

Vai uma bica Sr. Presidente?


sexta-feira, janeiro 08, 2016

Maldito Salário

Publicado hoje no Diário Económico:

A crise que muitos analistas dizem já ter passado, continua a marcar as empresas nacionais. Ao desemprego juntam-se agora o atraso ou o não pagamento de salários.

No dicionário, a palavra Salário significa “retribuição pecuniária do serviço executado”. A palavra deriva do latim Salarium e nasceu de sal, outrora usado como forma primária de pagamento.

Há quem diga que a maior e mais difícil privação para o ser humano é a do sono, associada muitas vezes às forças especiais ou a quem, por outro tipo de obrigações, tem o tempo de tal forma ocupado que não sobra muito para dormir. E se este primeiro ponto não merece grande contestação – quem não conhece as consequências de noites mal dormidas que atire a primeira pedra – o próximo também não: a privação de salário.

São várias as centenas de milhar de desempregados em Portugal. Mas há (felizmente!) quem esteja no outro prato da balança, apesar da conjuntura ainda muito difícil do país. São pessoas com trabalho, que se levantam todos os dias para cumprirem com as suas tarefas a tempo e horas. Que aguentam horas extra sem que estas lhes sejam pagas. Que abdicam da família porque o trabalho a isso obriga. Colocam-se em segundo plano para que no topo esteja sempre e só o empregador. Até se sujeitam, por causa da conjuntura adversa, a atrasos nos pagamentos. Há, no entanto, nesta equação uma variável que não pode ser ignorada: o não pagamento de salários.
O pior cenário que um qualquer trabalhador pode ter em termos profissionais, além do desemprego, é trabalhar mas não ser pago por isso. 

A lei nem sempre protege quem mais dela precisa. Os que querem trabalhar mas, nestes casos, não conseguem vêem-se obrigados a deslocar-se para o emprego até que os prazos legais sejam atingidos. Recorrem a quem os pode auxiliar – mesmo que também com dificuldades; deixam de pagar as prestações. Entram em incumprimento mesmo que em primeira e última instância isso não seja necessariamente responsabilidade sua! Encontram desculpas para se desculparem. Fazem ver aos bancos que se não pagam é – mesmo! – porque não podem. E estes casos são muitos. Por causa da crise, são cada vez mais!

Os empregadores, que têm a responsabilidade de pagar os ditos salários, começam a ficar sem sal. Outros já não têm quaisquer receitas para o fazer. Há quem não consiga cumprir com as suas obrigações salariais não por vontade, ou porque sim, mas porque a tal conjuntura se complicou de tal forma que há que ir racionando o dinheirito que vai entrando. Para muitos, a solução será o fecho de portas, sem dinheiro para actualizar os salários em atraso e muito menos para pagar indemnizações. Mais uma vez, a lei nem sempre é amiga de quem fica literalmente a arder.

Perante este cenário, o salário, ou a falta dele, torna-se uma maldição. O trabalhador mantém a família em segundo lugar mas com a agravante de não levar para casa o dinheiro que permite saldar contas e comprar comida. Castiga-se psicologicamente por não o conseguir. Acredita que não há alternativa. Um estudo publicado em Fevereiro do ano passado, na revista The Lancet Psychiatry, revela que, por ano, há 45 mil pessoas que se suicidam porque estão desempregadas. Sobre Portugal, conclui que foi o país “mais afectado em termos de suicídios ligados ao desemprego”, apesar da “qualidade dos dados disponíveis ser bastante fraca”. Mais importante do que estes dados, é mostrar-se a quem não tem salário ou emprego que há alternativas. E que algumas podem ser viáveis!

terça-feira, dezembro 29, 2015

Quando chove mas finges que está sol


O mundo continua recheado de pessoas que vivem iludidas. Iludidas com a vida em geral e com tudo o resto em particular! Quando chove torrencialmente, porque é época de monções, querem acreditar cegamente que estão em pleno verão. Se está frio não querem perceber que convém vestir um agasalho. E, mais importante em tempos onde reina a austeridade laboral, ignoram o óbvio e transformam-se numa espécie de anarquistas sem nome, objectivos ou preocupações.

Não se preocupam com elas próprias e muito menos com os outros! Ignoram, como sempre, o óbvio e com isso iludem-se prejudicando todos os que com eles se cruzam. Não percebem - porque lhes falta (pelo menos) inteligência emocional - que quando uma casa está a arder ou se uma família está em apuros todos devem unir esforços... E não o contrário! Porque o contrário apenas acelera a queda da casa.

Por vezes, o melhor é abandonar a casa e deixar lutar aqueles que o querem realmente fazer!

terça-feira, dezembro 22, 2015

O Contribuinte? Ai aguenta aguenta...

A história volta a ser redundante. Um banco, à rasca, é intervencionado. Ou melhor, faz uma cirurgia, sobrevive, é vendido, mas os custos da operação são os contribuintes que asseguram! Ninguém lhes perguntou se estavam disponíveis para isso ou o que é que pensavam sobre a situação. Foi-lhes dito - foi-nos dito! - que havia risco sistémico.

A factura será paga ao longo dos anos sendo que os activos problemáticos - os resíduos que ninguém com bom senso quer - ficam na posse dos contribuintes. No entanto, há um aspecto que interessa analisar: a (falta de) responsabilização dos vários intervenientes em todos estes casos. Há a gestão/administração da instituição; os reguladores - Banco de Portugal e CMVM; os governos e também as autoridades europeias, ou seja, o BCE. E o problema reside aqui. Os vários elementos desta equação guardam o segredo, que é a situação débil do banco, e quando já não há nada a fazer divulgam esse segredo.

No Banif, além da nacionalização parcial, protelou-se a venda ou o futuro sustentável do banco. Esperou-se que o tempo tratasse do assunto. Todavia, o tempo mostrou que não havia solução fácil para a instituição que acabou por perder centenas de milhões de euros quando os depositantes começaram a ver que onde havia fumo havia mesmo fogo. E mais uma vez - à semelhança do que aconteceu com o BES - o governo avançou quando o BCE avisou que ia fechar a torneira.

A crise, já o escrevi, justifica muita coisa. Mas não tudo! É preciso apurar-se responsabilidades. E para isso não bastam as comissões parlamentares de inquérito. É preciso que a justiça actue. Pelo meio, é preciso ver se não haverá mais bancos a precisarem de ajuda. Se esse for o cenário, então já conhecemos a receita que foi bem explicada por um outro banqueiro a respeito dos impostos em Portugal: o contribuinte? Ai aguenta aguenta!


sábado, dezembro 19, 2015

Despedimentos a mais

Noticiámos, ouvimos e lemos a melhoria de alguns indicadores em Portugal. Melhoraram os números, não todos, mas a economia real continua igual a si própria: cresce pouco, conta todas as migalhas e no final sobra pouco. Muito pouco.

O problema maior é que para manter postos de trabalho não chegam migalhas. Sinónimo disso são os 120 trabalhadores que foram para a rua no Sol e no i; os 70 funcionários do centro de produção da Unicer em Santarém e os 500 trabalhadores da Soares da Costa. Em números redondos, desapareceram 700 postos de trabalho em cerca de um mês.

Só nas empresas que fizeram manchete. Seguir-se-ão mais! Nos media, na banca – o Financial Times estima mil colaboradores no Novo Banco e há ainda o Banif. A crise justifica muita coisa. Mas não tudo. Multiplicam-se as explicações para as causas deste flagelo. O que se vê (muito) pouco é o escrutínio à gestão que é feita nestas empresas.™