quinta-feira, outubro 27, 2011

Concílio dos Deuses

Terminou o tão almejado Concílio dos Deuses, entenda-se dos líderes da Zona Euro, no Olimpo, que é como quem diz em Bruxelas.

Desta vez Júpiter (personificado nas figuras de Merkel e Sarkozy) convocou o encontro não por causa dos portugueses, ou pelo menos não apenas, mas devido ao sismo grego que assola a Europa.

Depois de mais de 10 horas de duras negociações, Baco, não o Deus do Vinho mas o George Papandreou, mostrou-se satisfeito. Tão satisfeito que esclareceu os gregos que o país conseguiu, com esta cimeira, fugir à "armadilha" do incumprimento. Se conseguiu ou não ninguém sabe. Logo se verá! Sendo certo que a Grécia e o seu governo não vão escapar, tudo indica, a uma observação atenta e permanente dos membros da Troika que prometem arrendar um apartamento em Atenas para os próximos anos.

A Grécia pode escapar do incumprimento. Mas os bancos e fundos que compraram dívida soberana do país vão perdoar 50% do montante comprado. O que dá um pouco mais de 100 mil milhões de Euros. Uma decisão que obriga a banca europeia a escavar 106 mil milhões de euros para recapitalizar-se... Deixando, como era de esperar, os bancos portugueses ainda mais aflitos: precisam de quase oito mil milhões de Euros.

Entre as boas notícias, se é que as houve neste concílio, está o reforço do armamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Passa a ter em carteira 1 Bilião de Euros, e não 440 mil milhões como acontecia até agora, e vai poder comprar dívida soberana nos mercados Primário (directamente aos países) e no secundário.

Os "Deuses Europeus" deixaram ainda em aberto a possibilidade do FEEF poder ajudar na recapitalização do sistema bancário.

O concílio, o décimo quarto em apenas 20 meses, terminou sem muitos dos pormenores que os "crentes" europeus e mundiais queriam e precisam conhecer.

Resta saber se os Deuses ficaram mesmo satisfeitos com este concílio ou se vão querer marcar um outro, quem sabe, para saber como vai o Olimpo da moeda única.



quinta-feira, outubro 13, 2011

Terramoto Necessário

Há muito que se previa que o país precisava de entrar nos eixos e mudar os vícios dos últimos anos (provavelmente décadas!).

Há muito tempo que, muitas figuras de relevo do país, alertavam para o fosso em que o país se encontrava.

Os portugueses podem ficar surpresos. Mas será que há razão para tanta surpresa? Eu diria que, mais do que surpresas, houve coragem esta noite.

O Primeiro-ministro anunciou um corte dos subsídios de Férias e de Natal para os trabalhadores da Função Pública que têm salários de pelo menos 1000€/mês. O mesmo se adequa aos pensionistas. Merece mais protestos? Talvez, mas é a solução depois de, repito, muitos anos de pura ficção política (tanto do PS como do PSD e CDS-PP).

Estava na altura de mostrar ao país e aos parceiros europeus que Portugal é um país exemplar. Se não é, ou não foi, deve tornar-se agora.

A austeridade, cada vez mais exigente, é infelizmente um mal necessário para todos. A coragem foi, sem dúvida, o destaque desta noite.

Aos mais reticentes peço que olhem para o exemplo da Grécia que está no fundo do poço.

As muitas exigências previstas no OE 2012 são males necessários. Mas podem representar o fim de um mau hábito nacional.

Os políticos, com responsabilidades na actual situação do país, deveriam ser chamados a responder pelo estado ruinoso em que deixaram Portugal. E é, mais do que as muitas medidas anunciadas, aquilo que mais me deixa revoltado com este país.

É por isso que este Orçamento era um Terramoto Necessário e previsível. A única surpresa deve-se ao facto de muitos terem preferido olhar para o lado... em vez de olhar para a frente.

P.S - Sr. Primeiro-ministro era escusado "obrigar" o sector privado a trabalhar mais meia hora por dia. É completamente desnecessário! Basta ir a uma qualquer empresa não-pública e percebe que, muitas vezes, os profissionais fazem muitas "meias-horas" por dia...