POLITICADA


Sexta-feira, Janeiro 20, 2012

"Fui despedido"

v.t. Mandar embora com brandura ou não; dispensar: despedi a empregada. V.pr. Afastar-se, dizer adeus: despedir-se de um amigo; despedir-se da vida de solteiro.

É certamente a expressão mais vezes escrita nos últimos meses pelo media mundiais. Mais vezes ouvida na rádio, na rua, em casa! Vista diariamente um pouco por todo o lado. E ao contrário do significado na maioria das situações, os despedimentos não ocorrem "com brandura". São duros, inesperados, por vezes injustificados.

É a realidade do país e do mundo. Das empresas. Das pessoas. É uma luta desigual e pouco democrática. Por vezes justificada. Outras (vezes demais) sem sentido. E porquê? A resposta óbvia e mais vezes ouvida é já conhecida de todos: "É a crise!"

É verdade! É a crise. Mas é também a falta de rumo; a mediocridade da gestão que se faz; são desperdícios injustificados. A crise é aquilo que dela se faz. É a desorganização; a desorientação; a falta de conhecimento. É um caldo de muita incompetência e de algumas, poucas, situações que são verdadeiramente incontroláveis. Mas estas últimas são poucas. Não são argumento que per si valham e sejam justificação para tudo.

Despedir é um tsunami que varre as planícies e chega às montanhas com a mesma agressividade de um... dois, três... sete anos sem trabalho. É a depressão que mata, choca, aborrece. É a depressão que deprime e desgasta.

Não há crise sem despedimentos. Não deveria haver despedimentos sem crise, ou justificados apenas pela mesma. O que me leva a reflectir sobre a seguinte afirmação:

"A essência da propaganda está em levar as pessoas para uma ideia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbem completamente a essa ideia, de modo a nunca mais escaparem dela".*

É mais do que óbvio que os portugueses já se habituaram a esta "ideia". Não escapam dela, mesmo que o quisessem. É a vida de cada um. A realidade de todos. É o choque do choro surpreendido pela notícia. É o ambiente de pesar. São os cochichos. É a dura realidade. Necessária talvez, em nome das reestruturações, da maior competitividade. Da qualidade!

Para trabalhar é preciso ter ambição, qualidade, vontade. E já agora alguma sorte para não se ser mandado "embora com brandura".



*Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Hitler.

Quinta-feira, Outubro 27, 2011

Concílio dos Deuses

Terminou o tão almejado Concílio dos Deuses, entenda-se dos líderes da Zona Euro, no Olimpo, que é como quem diz em Bruxelas.

Desta vez Júpiter (personificado nas figuras de Merkel e Sarkozy) convocou o encontro não por causa dos portugueses, ou pelo menos não apenas, mas devido ao sismo grego que assola a Europa.

Depois de mais de 10 horas de duras negociações, Baco, não o Deus do Vinho mas o George Papandreou, mostrou-se satisfeito. Tão satisfeito que esclareceu os gregos que o país conseguiu, com esta cimeira, fugir à "armadilha" do incumprimento. Se conseguiu ou não ninguém sabe. Logo se verá! Sendo certo que a Grécia e o seu governo não vão escapar, tudo indica, a uma observação atenta e permanente dos membros da Troika que prometem arrendar um apartamento em Atenas para os próximos anos.

A Grécia pode escapar do incumprimento. Mas os bancos e fundos que compraram dívida soberana do país vão perdoar 50% do montante comprado. O que dá um pouco mais de 100 mil milhões de Euros. Uma decisão que obriga a banca europeia a escavar 106 mil milhões de euros para recapitalizar-se... Deixando, como era de esperar, os bancos portugueses ainda mais aflitos: precisam de quase oito mil milhões de Euros.

Entre as boas notícias, se é que as houve neste concílio, está o reforço do armamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Passa a ter em carteira 1 Bilião de Euros, e não 440 mil milhões como acontecia até agora, e vai poder comprar dívida soberana nos mercados Primário (directamente aos países) e no secundário.

Os "Deuses Europeus" deixaram ainda em aberto a possibilidade do FEEF poder ajudar na recapitalização do sistema bancário.

O concílio, o décimo quarto em apenas 20 meses, terminou sem muitos dos pormenores que os "crentes" europeus e mundiais queriam e precisam conhecer.

Resta saber se os Deuses ficaram mesmo satisfeitos com este concílio ou se vão querer marcar um outro, quem sabe, para saber como vai o Olimpo da moeda única.



Quinta-feira, Outubro 13, 2011

Terramoto Necessário

Há muito que se previa que o país precisava de entrar nos eixos e mudar os vícios dos últimos anos (provavelmente décadas!).

Há muito tempo que, muitas figuras de relevo do país, alertavam para o fosso em que o país se encontrava.

Os portugueses podem ficar surpresos. Mas será que há razão para tanta surpresa? Eu diria que, mais do que surpresas, houve coragem esta noite.

O Primeiro-ministro anunciou um corte dos subsídios de Férias e de Natal para os trabalhadores da Função Pública que têm salários de pelo menos 1000€/mês. O mesmo se adequa aos pensionistas. Merece mais protestos? Talvez, mas é a solução depois de, repito, muitos anos de pura ficção política (tanto do PS como do PSD e CDS-PP).

Estava na altura de mostrar ao país e aos parceiros europeus que Portugal é um país exemplar. Se não é, ou não foi, deve tornar-se agora.

A austeridade, cada vez mais exigente, é infelizmente um mal necessário para todos. A coragem foi, sem dúvida, o destaque desta noite.

Aos mais reticentes peço que olhem para o exemplo da Grécia que está no fundo do poço.

As muitas exigências previstas no OE 2012 são males necessários. Mas podem representar o fim de um mau hábito nacional.

Os políticos, com responsabilidades na actual situação do país, deveriam ser chamados a responder pelo estado ruinoso em que deixaram Portugal. E é, mais do que as muitas medidas anunciadas, aquilo que mais me deixa revoltado com este país.

É por isso que este Orçamento era um Terramoto Necessário e previsível. A única surpresa deve-se ao facto de muitos terem preferido olhar para o lado... em vez de olhar para a frente.

P.S - Sr. Primeiro-ministro era escusado "obrigar" o sector privado a trabalhar mais meia hora por dia. É completamente desnecessário! Basta ir a uma qualquer empresa não-pública e percebe que, muitas vezes, os profissionais fazem muitas "meias-horas" por dia...

Sábado, Setembro 24, 2011

Chamem a polícia

Infelizmente o meu carro recebeu na última noite, e sem aviso, uma "visita" inesperada. Um ou mais cidadãos sem nada de útil para fazer decidiram conhecê-lo de perto sem convite. Levaram o pouco que havia no seu interior, incluindo a Via Verde, e estragaram-me o vidro.

Mas não é pelos estragos causados que escrevo estas linhas. Parece-me que este relato é importante pelo que se passou a seguir e que, a meu ver, podia (devia!) ser alterado.

Se o furto me deixou chateado fiquei... deprimido com a esquadra à qual me dirigi. Não pelos motivos e pelos estereótipo habituais. Fiquei deprimido porque à falta de condições do local juntava-se a falta de agentes. Um! É isso mesmo. Apenas um agente para tratar do que ia aparecendo.

Com respeito e educação, pediu-me desculpa e disse-me que iria ter que esperar bastante tempo porque tinha casos mais importantes para tratar... como o desaparecimento de um menor. Naturalmente, compreendi.

A falta de agentes, de policiamento, de segurança são uma realidade deste país que cada vez mais se parece com um cemitério abandonado. Provavelmente já terão visto um. É algo indescritível!

Mas voltando à história. Como estava com pressa decidi voltar à esquadra em questão durante a tarde. O cenário foi idêntico. Desta vez estavam dois agentes, igualmente simpáticos e receptivos, relativamente novos. Apresentei a queixa e, enquanto se tratava das questões legais, fui falando com os agentes. A falta de efectivos e de condições de trabalho foram o tema central da conversa. Nem sequer me falaram de salários! Apenas das situações a que não podiam atender.

Quando me preparava para sair chegou um terceiro agente que, fiquei a saber então, ia ficar a partir desse momento (cerca das 17:00) e até à uma da manhã sozinho (!) na esquadra.

Como é que é possível que um país supostamente desenvolvido, mesmo que em crise, possa pensar em projectos megalómanos sem antes pensar na segurança e no bem-estar dos seus cidadãos?

Para terminar este triste relato, e apenas como nota, os agentes garantiram-me que a criminalidade continua a aumentar a olhos vistos. Por isso... tenham cuidado!

Sexta-feira, Setembro 02, 2011

O Futuro de Angola


O presidente de Angola escolheu o ‘chairman' da Sonangol para seu sucessor, avança a imprensa angolana.

É uma confirmação. Manuel Vicente, presidente da Sonangol, foi escolhido para sucessor de José Eduardo dos Santos, que lidera os destinos de Angola há três décadas.

A informação é avançada pelo semanário angolano Novo Jornal, que cita fontes do partido do governo.

Económico


O acto de ler um livro do avesso!


É caso para dizer que ou Lula da Silva não sabe ler ou então desenvolveu uma nova apetência para a leitura invertida...

Quinta-feira, Setembro 01, 2011

O CIRCO DE JARDIM


Qualquer cidadão do 'continente' lembrar-se-á certamente das declarações irónicas, muitas vezes críticas, que Alberto João Jardim proferiu nos últimos 30 (e tal) anos.

Qualquer português reconhece que o Presidente da Região Autónoma da Madeira tem sido autónomo, por vezes demais, na gestão das contas da região. O que não tem sido, à semelhança dos governantes do 'continente', é eficiente.

Basta olhar para os factos: em apenas cinco anos a dívida da Madeira cresceu nada mais nada menos do que 100%! Ascende praticamente aos mil milhões de Euros. À semelhança de qualquer (bom) gestor de uma empresa, os portugueses - e os madeirenses - esperariam de Jardim uma justificação no mínimo diferente para este deslize. Mas não! Alberto João Jardim justificou a má gestão com o Governo socialista de José Sócrates que, nas palavras o próprio, criou políticas que "atacaram" a Madeira.

Vítor Gaspar, o ministro das Finanças, que não parece gostar do circo de Jardim, considerou esta semana a situação da região como "insustentável" e levantou mesmo a possibilidade da Madeira passar por um programa da Troika, idêntico ao do 'continente'.

Como era de esperar, Jardim não gostou da sugestão e veio em defesa da situação do Governo Autónomo (o seu!). Garante que a situação é insustentável "em todo o país". Mas a verdade é que parece não querer pedir esforços, ou pelo menos tantos, como os que foram exigidos aos continentais. Em mais um momento típico, Jardim respondeu: "Passa-lhe pela cabeça que nós íamos pagar para resolver o nosso problema e ainda íamos pagar para resolver o problema dos outros?".

Os "outros" aqui são os portugueses do continente. Esquece-se, no entanto, que no fim de contas somos todos portugueses. Obedecemos todos a um mesmo país, leis e, claro, obrigações!

No fim desta "estória", e mesmo com o deslize já conhecido, Alberto João Jardim prefere continuar com o espectáculo, um circo triste. E espera que, à semelhança do que aconteceu nos últimos 30 anos, o Governo da República continue a financiar aquilo que parecem ser os caprichos de um governante desvirtuado da realidade económica e financeira do país.

Resta saber se Pedro Passos Coelho vai dar continuidade a esta estória de uma ilha que, financeiramente, está a afundar.

Contribuintes vão pagar maior parte do corte no défice



Os contribuintes ainda não sentiram o corte do subsídio de Natal mas já têm a promessa de um novo aumento de impostos para 2012.

Económico

Quarta-feira, Agosto 17, 2011

Hoje há tourada!

Caro Sr. Ministro Vítor Gaspar,

Sei que o tempo não cresce e que as responsabilidades são muitas desde que chegou ao Governo. Sei também que houve um desvio orçamental nas contas do Estado de 1,9 mil milhões de Euros e que os esforços pedidos são para todos. Ou pelo menos para uma parte destes "todos".

Deixe-me dizer-lhe que apoio algumas das exigências que o Governo ao qual pertence tem feito. Entendo que é necessário colocar este "comboio" de novo nos carris... Pelo menos tentar!

Há, no entanto, uma coisa que não compreendo. O porquê de taxar, ainda este ano, o gás e a electricidade com uma taxa de IVA de 23% quando há bens menos (muito menos!) essenciais que mantêm uma taxa de 6%.

Falo dos bilhetes para espectáculos, como concertos, jogos de futebol, golfe e até mesmo das touradas. Não nutro grande paixão por esta última, mas respeito quem aprecia. O que não aceito é que o IVA aplicado a estes casos seja bastante menor do que nas primeiras situações que enumerei.

Quererá o senhor manter distraída a população? Pode ser! E se assim for respeito uma vez mais a decisão. Não deve esquecer-se, todavia, que há quem prefira ver os jogos ou até mesmo as touradas em casa, pela televisão. E nesses casos, estão a pagar IVA a 23% para terem o aparelho ligado.

É estranho não é? Ou será mais um assunto mal explicado?

Já agora, aceite a minha modesta opinião. Leia o artigo que Warren Buffett assinou, este fim de semana, no NY Times. Pode ficar com um resumo desse texto aqui.

Espero que, apesar da agenda bastante preenchida, possa ler este simples texto. Apesar de hoje haver tourada... na televisão!
Link

Sexta-feira, Agosto 12, 2011

Balança de um só prato


Antes de ser Governo, ou melhor, antes de ser eleito Primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho prometeu terminar com o Monstro (não o Adamastor, um outro) que há muito assusta apenas os contribuintes. De fora deste grupo deixo, propositadamente, os Políticos, sem generalizar, claro! Refiro-me ao Monstro da Despesa do Estado

Antes de ser Governo, Pedro Passos Coelho enquanto Oposição criticou o que outros Executivos prometeram mas não conseguiram fazer: cortar a Despesa do Estado. Mais: garantiu que iria cortar essa mesma Despesa para reequilibrar as contas públicas.

Algumas semanas depois de ter sido eleito sob essas promessas, o Governo apresenta, finalmente, resultados. Mas não os esperados! É que entre impostos e medidas extraordinárias as receitas adicionais chegam já aos mais de 1,5 mil milhões de Euros.

O imposto extraordinário garante aos cofres estatais 840 milhões. Os contribuintes vão sentir esta medida, mais um "esforço necessário" no subsídio de natal. Há também a antecipação da subida do IVA na electricidade e gás. Daqui provêm mais 100 milhões. Mas não é tudo. A integração do Fundo de Pensões da Banca nas contas públicas permitem angariar mais 600 milhões. Tudo somado dá 1.540 milhões de Euros. Até aqui nada a contestar. Os contribuintes fazem o que lhes é pedido. Tudo em nome do país, das exigências da Troika e do enorme desvio encontrado que ascende a 1,9 mil milhões de Euros.

O problema está na balança utilizada pelo Governo que parece estar avariada... Tem apenas um prato, o da Receita! Onde está a Despesa? Com os encargos já colocados sobre as costas dos contribuintes, já não é preciso fazer, praticamente mais nada, do lado da Despesa para colmatar este desvio.

Há pouco mais de 30 dias, o ministro das Finanças comprometeu-se a cortar mil milhões de Euros na Despesa. Nada ou pouco disse sobre este "prato inexistente na balança".

Os contribuintes estão conscientes dos desafios e das exigências. Sabem também que é preciso cumprir o Défice de 5,9 por cento este ano. Sabem que é preciso sair deste buraco. Só não percebem porque é que a balança do Governo teima em ter apenas um lado, somente um prato!

Sexta-feira, Agosto 05, 2011

BPN e o Poço de Petróleo



O que têm o BPN e um poço de petróleo em comum? Num primeiro olhar pode dizer-se que nada. Se analisarmos a venda do banco em pormenor percebemos que há relação.


Vamos por partes. Nos últimos três anos, o Estado português, após a nacionalização, decidiu injectar 2,4 mil milhões de Euros (pelo menos são os números conhecidos até agora, mas podem aumentar se forem consideradas as perdas provocadas pelos "activos tóxicos" que ficaram para o Estado). E porquê?


Explicou o Governo de então que o objectivo era salvar o banco para evitar o "efeito de contágio" e consequente falência; para preservar os depósitos dos clientes, assim como os 1580 postos de trabalho.


Agora, e depois de uma espécie de peditório internacional... o novo Governo lá conseguiu arranjar quem ficasse com a instituição cuja histórias provoca, ainda hoje, urticária a quem a conhece.


E é aqui que aparecem as semelhanças com o poço de petróleo... Daqueles conhecidos como "poços de injecção". Ou seja, quando os poços começam a ficar esgotados, as empresas responsáveis pela extracção começam a injectar água nos mesmos para aumentar a pressão e consequentemente facilitar a saída da matéria-prima.


Se olharmos com atenção é isso mesmo que o Governo português tem estado a fazer, embora com uma "água" de alta qualidade e custo.


O retorno deste investimento seria difícil de se obter. Já se sabia! Mas pelo menos esperava-se que o montante da venda tivesse algum impacto. Não teve. Foi vendido por 40 milhões de Euros ao BIC, banco luso-angolano como o seu presidente gosta de frisar. E com razão!



Mas a verdade é que na fase final do negócio o BIC não estava sozinho. Na corrida estavam ainda o Montepio e o NEI, um grupo de empresários nacionais. É precisamente este último grupo que está a provocar a tal urticária em toda a história.



A Secretária de Estado do Tesouro fez questão de reforçar esta semana, na Assembleia da República, que as "outras" propostas não iam de encontro aos objectivos do Governo. Mas esqueceu-se de um pormenor. Falou apenas na primeira proposta do NEI que oferecia 106,4 milhões de euros pelo banco. O problema é que só pagava cinco milhões este ano e o restante valor nos próximos seis.


Visto desta forma, e sem conhecimento de toda a história, parecia uma proposta pouco atractiva. No entanto, agora o NEI revelou uma outra proposta, de mais de 120 milhões, e que previa o pagamento ainda este ano de 20 milhões de euros.


É caso para dizer que alguém se esqueceu de ligar o motor da máquina que iria injectar a água no dito poço...

Sexta-feira, Julho 29, 2011

A "finta" de Passos Coelho

No último dia de campanha para as legislativas, Pedro Passos Coelho (então candidato pelo PSD) fez questão de lembrar aos jornalistas que se fosse eleito Primeiro-ministro "falaria sempre aos jornalistas".

A sentença, então ditada em forma de crítica a José Sócrates que se esquivava com cada vez mais frequência aos jornalistas, ficou retida. Não esqueci, tal como muitos portugueses o terão feito. Bastaram apenas 30 dias e uma eleição para que o agora Primeiro-ministro faltasse à palavra.

Esta sexta-feira, no final do primeiro Debate Quinzenal entre Passos e o seu amigo das "J's" António José Seguro, Passos Coelho entrou em "default" para com o país. Quando tudo estava preparado nos Passos Perdidos da Assembleia da República, o Primeiro-ministro decidiu sair por outra porta, fintando os jornalistas que estavam há largos minutos à espera para ouvirem o que tinha a dizer e para prestar alguns esclarecimentos.

Não o fez. Primeiro, em jeito de jovem rebelde, espreitou pela porta para logo de seguida se esquivar em passo acelerado para fora do alcance dos jornalistas... Sempre rodeado pelos restantes membros do Governo e respectivos seguranças.

Não falou. Não esclareceu. Ignorou o trabalho daqueles que diariamente informam o país. Dos profissionais que servem de veículo para que o próprio Primeiro-ministro chegue aos portugueses.

A surpresa foi geral entre os jornalistas, nomeadamente os das várias televisões que estavam em directo. Eu fui um deles. Senti-me ignorado... Como jornalista e como português. Por isso, não resisti a dizer, ainda em directo: "Pedro Passos Coelho acaba de fintar os jornalistas".