segunda-feira, dezembro 05, 2005

Primeiro frente-a-frente entre Cavaco e Alegre

O primeiro frente-a-frente para as Presidenciais acontece hoje, na Sic, pelas 20h30 e opõe Cavaco Silva a Manuel Alegre.

O debate de hoje é importante para Cavaco Silva, uma vez que tem sido acusado de não apresentar propostas concretas. Desta forma, o antigo primeiro-ministro poderá aproveitar o facto de abrir a primeiro debate para explicitar as suas ideias.

Do mesmo modo, embora em sentidos políticamente diferentes, Manuel Alegre tem a possibilidade de recuperar a desvantagem que, presentemente, tem em relação a Mário Soares, tentando captar votos aos indecisos do PS.

O debate de hoje terá uma hora de duração e apenas um intervalo. A forma de debate adoptada será igual em todos os debates presidenciais.

Os dez debates televisivos serão transmitidos pelas três estações de televisão generalistas e terminam a 20 de Dezembro.


segunda-feira, outubro 31, 2005

Direitos apenas na forma...

"A AIR LUXOR NÃO TRANSPORTA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAPublicação de um mail recebido de um leitor da Fundação Canzoada:

PORTUGAL NO SEU PIOR - EXCLUSÃO E DISCRIMINAÇÃO!

Sabem a melhor?Perguntei ao Sr. Rui Perdigão da "Air Luxor" para ele então me dar datas disponíveis para férias em Moçambique, Brasil ou Cabo Verde, salientando que o quarto no hotel onde ficasse hospedado teria de ter condições para deficientes devido á minha esposa se deslocar em cadeira de rodas. O Sr. Rui Perdigão disse-me para eu esperar um pouco e passado uns segundos voltou ao telefone dizendo-me: Lamentamos muito, mas desde o dia 7 de Junho que a "Air Luxor" deixou de transportar passageiros deficientes.

Como devem compreender acho que com esta atitude a companhia aérea em questão está a praticar "Exclusão e Discriminação" para com os deficientes deste País. Acho inconcebível que uma companhia aérea nacional não preencha um dos requisitos minímos que é o transporte de deficientes.

Agradeço que divulguem este bom serviço prestado pela "Air Luxor". Só mesmo num país do TERCEIRO MUNDO é que este tipo de situações poderiam vir a ocorrer.

Virgilio «"Air Luxor Tours - Call Center" ALT-CallCenter@airluxor.com 14-07-2005 15:11»

Após este contacto do meu marido com a referida transportadora e, não querendo acreditar no que estava a ouvir, tentei marcar uma viagem na Companhia aérea AIR LUXOR. Após a verificação da data a marcar e do número de lugares, disse ao funcionário que um dos lugares era para um deficiente motor.

Resposta do meu interlocutor:

-Desde o dia 7 de Junho que a Air Luxor não faz transporte de passageiros em cadeiras rodas. (antes ainda me questionou se o passageiro de cadeira de rodas podia subir as escadas para o avião - apeteceu-me logo dar uma má resposta mas consegui conter-me).

Reclamei, como é óbvio e vou levar ao limite a luta contra esta discriminação que a referida companhia está a praticar: não transportar deficientes motores nos meses em que a afluência ao serviço é grande, é estar a impedir a acessibilidade ao exercício do direito de cidadania, é estar a violar o meu direito de igualdade e liberdade. Esta exclusão social no sec. XXI, não pode nem deve passar sem que seja altamente divulgada. Vou lutar pelo meu direito à acessibilidade quando e onde o desejar. Não será a Air Luxor a decidir os meses em que devo ou não viajar. Já não está em causa a viagem mas sim a discriminação e a exclusão.

Conto com a ajuda de todos para a divulgação de mais uma injustiça no mundo de "Salve-se quem puder"

ACESSIBILIDADE É UM CONCEITO LATO QUE SIGNIFICA POSSIBILIDADE DE ACESSO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA AO MEIO EDIFICADO PÚBLICO E PRIVADO, AOS TRANSPORTES E ÁS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E DA COMUNICAÇÃO."


Email recebido que achei por bem divulgar...

segunda-feira, outubro 24, 2005

O Anúncio



Cavaco Silva formaliza a sua candidatura à presidência da República.
O antigo primeiro-ministro pretende combater «a descrença e o pessimismo instalados», com a convicção de «contribuir para o reforço de credibilidade e para ajudar a vencer o momento difícil que o país atravessa».

domingo, outubro 09, 2005

As Autárquicas e a moral

A verdadeira democracia, aquela que vem nos livros e à qual nos habituamos a aspirar desde tenra idade, pressupõe, no sentido da salutar auto-preservação das instituições democráticas um conceito bastante importante – a alternância democrática.

Os resultados globais das eleições autárquicas de hoje, segundo as projecções avançadas pelas principais televisões nacionais, demonstram, inequivocamente, o perpetuar de alguns mandatos pré-históricos que, obviamente, nada têm a ver com o conceito anteriormente referido.

A eleição dos velhos “dinossauros” que pontificam nas autarquias de Braga, Gondomar e Oeiras, entre outras, atesta a manutenção de um “status quo” governativo, em minha opinião, verdadeiramente inquietante.

A sabedoria popular diz-nos que o Poder acaba por corromper o indivíduo, especialmente com o passar dos anos e respectivos mandatos. Sem querer entrar pelo fatalismo desmedido do senso comum, é um facto que a manutenção de um cargo político durante um número indefinido de mandatos cria vícios latentes. Posto isto, e para o bem-estar das referidas instituições do poder local, é vital a injecção de “sangue novo”, fundamental para que se garanta uma relação de respeito mútuo entre a autoridade local e os cidadãos, laço que tende a ser desvitalizado com o avançar dos anos.

Políticos como Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Isaltino Morais são um bom exemplo deste apego assustador em relação ao todo badalado Poder. Sem querer abordar as considerações de âmbito legal sobre a gestão financeira de alguns dos municípios dirigidos pelos referidos “dinossauros”, sobre os quais as instituições judiciais oportunamente se pronunciarão, poder-se-á dizer que estas eleições decorreram numa esfera pouco ética. A ética é a ciência da moral; partindo deste princípio dir-se-á, com toda a legitimidade, que a suspeita de actos ilícitos durante a administração camarária impõe, em nome do respeito pelas instituições democráticas, a suspensão de toda e qualquer actividade política, até que o poder judicial se pronuncie sobre a questão. É certo que a política não se deve misturar com a justiça, no entanto, o mais distraído dos eleitores pode e deve questionar-se sobre esta questão ética e moral.

Mais do que qualquer consideração de âmbito meramente partidário, os resultados destas eleições autárquicas mostram que os eleitores têm uma confiança cega nos respectivos presidentes de câmara, mesmo quando estes se encontram sob a alçada da justiça. Será que a presunção de inocência até trânsito em julgado justifica os resultados do escrutínio?

Seria sem dúvida positivo que se reflectisse sobre esta questão que, volto a dizer, é acima de tudo ética e moral.

sexta-feira, outubro 07, 2005

Nobel da Paz

Nobel da Paz 2005 atribuído à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) e ao seu director-geral, Mohamed ElBaradei.

quarta-feira, outubro 05, 2005

Apenas mais um dia de festa...


A apenas quatro dias das Eleições Autárquicas, o espectáculo continua mais ou menos o mesmo. O circo é o mesmo, o seu apresentador também, apenas os palhaços mudam.

A constante repetição do “mesmo” neste texto não acontece por mero acaso. No fundo reflecte a situação do país, que se encontra numa ataraxia total. Alguma novidade?

Há que realçar a falta de imaginação e, acima de tudo, a falta de visão política àqueles que se auto denominam políticos.

No passado fim-de-semana li um artigo [que não é propriamente um artigo] na revista Única do jornal Expresso e que me deixou pensativo, um pouco à semelhança, penso eu, de todos os que, como eu, o leram.

Trata-se da habitual carta do Comendador Marques de Correia, aquela que, na última página da dita revista, todas as semanas se dirige a alguém, com algum sentido e ironia à mistura.

O Comendador Marques de Correia conta a história de três homens (Isaltim, Avelim e Valentino) e de uma estalajadeira (que supostamente fugiu pró Brasil...) que têm a possibilidade de pedir desejos a um génio.

Ora, não fosse esta história bem conhecida de todos nós e pensaríamos que as personagens teriam escolhido desejos variados e interessantes…

Eu que pensava que a época das canetas, das réguas, dos lápis [que até têm bastante utilidade para a escola, escritório e até para apontar o que falta de mercearia para a semana] estava acabada e, afinal, enganei-me! No entanto, e à semelhança dos tempos, a revolução dá-se também na política. Agora chegou a moda dos enchidos [entregues em mão e por correio]. E esta hein?

UM APARTE - A ironia é uma forma [simples] de se criticar aquilo que, supostamente, está mal.

É incrível como ainda hoje as pessoas se preocupam mais com os “brindes” oferecidos pelos políticos e seus verdadeiros exércitos de poluição sonora, do que com o próprio político e seus projectos políticos para o futuro.

Ainda há os que dizem que “os políticos são todos iguais” e que, por isso, não vão sequer votar, exercer o seu dever cívico, esquecendo-se que há outras formas de mostrar descontentamento político.

É curioso que, neste país desenvolvido que até pertence à União Europeia, Portugal ainda ande ao ritmo do chouriço e da propaganda barata.

É conveniente dizer que antes de pôr a cruz, no Domingo, o mais comum dos cidadãos poderia tentar conhecer o candidato em quem pensa votar [e refiro-me a nível de propostas políticas].

Não namoramos com quem não conhecemos, ou namoramos?

sábado, setembro 24, 2005

O POLITICADA encontra-se, temporariamente, em stand by. Todavia, voltaremos a escrever muito em breve... Sejam pacientes.
O POLITICADA voltará um pouco diferente, conquanto tendo sempre como elemento central de debate a política.

quinta-feira, maio 05, 2005

Marques Mendes veta recandidatura de Valentim Loureiro


Marques Mendes vetou, ontem, a recandidatura de Valentim Loureiro à Câmara de Gondomar, na reunião da Comissão Política Nacional do PSD.

O envolvimento de Valentim Loureiro no caso “Apito Dourado”, terá levado o líder do PSD a invocar falta de confiança política relativamente ao autarca de Gondomar.

Valentim Loureiro declarou, ontem, não ter nada a falar sobre a sua recandidatura com o líder do seu partido: «Não tenho nenhum problema para lhe colocar», tendo deixado para hoje, numa entrevista na RTP, o anúncio do seu futuro político.

Marcelo Rebelo de Sousa já teceu comentários à direcção do PSD, na televisão pública. O professor advogou que após o afastamento de Isaltino Morais, investigado pelo caso das contas na Suíça, o líder do PSD «Não tem margem de recuo» no que diz respeito às recandidaturas do major e da Isabel Damasceno, autarca de Leiria, igualmente arguida do processo "Apito Dourado".

Em resposta às declarações de Marcelo Rebelo de Sousa, Valentim Loureiro declarou que «Tudo o que ele [professor] diz deve ser ponderado», conquanto «há muitas coisas» sobres as quais Marcelo «não tem um conhecimento aprofundado».

Marques Mendes tomou a decisão de vetar a recandidatura de Valentim Loureiro na noite em que a concelhia de Gondomar ratificou em plenário a candidatura do major, que conta, também, com o apoio da Comisão Política Distrital do Porto, presidida por Marco António Costa.

Valentim Loureiro, segundo fontes próximas, pretende continuar a dirigir os destinos da Câmara de Gondomar, independentemente do apoio da direcção nacional do PSD.

A cofirmar-se a decisão do PSD há a possibilidade de Valentim Loureiro, à semelhança de Isaltino Morais, em Oeiras, optar por uma candidatura independente.

Fontes: DN e JN

Tony Blair poderá alcançar vitória histórica


Tony Blair é apontado como o vencedor das legislativas de hoje na Grã-Bretanha.

As sondagens dão uma vitória a Tony Blair com cerca de 45% dos votos, em 44,2 milhões de eleitores. O ainda primeiro-ministro deverá, ao que tudo indica, conseguir o terceiro mandato consecutivo dos trabalhistas. A Coral, uma das principais bolsas de apostas londrinas afirma que «Uma derrota dos trabalhistas será a maior surpresa da História».

Michael Howard, líder dos conservadores, «não terá grandes hipóteses de vir a ser o próximo chefe do governo», referem alguns estudos de opinião publicados hoje de manhã. Os mesmos estudos mantêm uma vantagem dos trabalhistas com margens de 3 a 6 pontos percentuais em relação aos conservadores e de 13 a 16 face aos liberais democratas de Charles kennedy.

Blair negou, ontem, em resposta às afirmações de que entregaria o poder a Gordon Brown, actual ministro das finanças, querer ser um primeiro-ministro a prazo. No último dia de campanha, Blair pediu ainda aos eleitores que não o «castigassem pela guerra do Iraque», mas que tivessem em conta a saúde da economia. «Evidentemente, há um desacordo sobre o Iraque», reiterou o chefe de Governo. «Mas se as pessoas optarem por um voto de protesto, não são as coisas contra às quais elas protestam que vão mudar se um Governo conservador chegar ao poder», acrescentou.

Tony Blair, na mesma conferência de imprensa, última antes das eleições, referiu o êxito do seu Governo nas áreas da Economia, da Saúde, da Educação e das Reformas. O chefe de Governo declarou aos presentes que «Se defendem uma economia forte, votem por ela; se defendem o serviço de saúde público, votem por ele; se defendem as escolas, votem por elas; se defendem o apoio aos reformados, votem por eles».

Gordon Brown, em consonância com o primeiro-ministro, escreveu no jornal "The Guardian" que «Punindo o Partido Trabalhista, punem as pessoas que mais necessitam dele», acautelando ainda os eleitores: «Rejeitar um Governo progressista com base num desacordo profundo sobre um só tema - o Iraque - poderá conduzir à ascensão de um Governo reaccionário hostil à justiça social e económica». Por volta das 22h00 (mesma hora em Lisboa) encerram as assembleias de voto e serão apresentadas as primeiras sondagens à boca das urnas.

A dúvida persiste, relativamente à expressão numérica do partido trabalhista nos 646 deputados do parlamento, até ao final da noite. A possibilidade de uma elevada abstenção é outra das dúvidas, uma vez que em 2001 apenas 59,4 % dos eleitores votou.

Fontes: JN e Lusa

segunda-feira, abril 04, 2005

Compromisso Portugal classifica o programa de governo de razoável

O Compromisso Portugal manifestou hoje, através de um comunicado à imprensa, uma posição favorável relativamente ás propostas firmadas no programa de governo socialista.

Após uma análise cuidada da estratégia proposta pelo executivo de José Sócrates para este ano, o prestigiado conjunto de empresários e intelectuais portugueses como António Mexia e António Carrapatoso, diz estarem criadas todas as condições para uma mudança estrutural na política económica nacional – “o Governo tem condições para implementar as políticas verdadeiramente reformistas necessárias ao desenvolvimento da sociedade portuguesa”.

As medidas que mais agradam ao Compromisso Portugal são a restrição do número de cargos da função pública por nomeação política, o ensino do inglês no básico, a revisão do mapa judicial e o incentivo à concorrência nos mercados de energia e medicamentos

Apesar desta avaliação positiva, o grupo diz-se preocupado com o “excessivo” peso do estado na política económica, tendência que pode prejudicar a competitividade nacional a médio prazo.

No documento hoje apresentado, o Compromisso Portugal deixou ainda alguns conselhos ao novo executivo, nomeadamente, a necessidade da “indicação e calendarização das medidas concretas e aprofundadas, susceptíveis de contribuir para uma maior aproximação à Europa, em termos de desenvolvimento económico, qualidade de vida e coesão social”.

Fonte: Lusa

domingo, abril 03, 2005

Morreu o Papa João Paulo II


O Papa João Paulo II faleceu esta noite, às 21h37 (20h37 em Lisboa), no seu apartamento no Vaticano. Karol Wojtyla morreu aos 84 anos de idade, ao fim de quase 27 anos de pontificado.

O porta-voz do Vaticano informou ontem, pelas 11h30, aos jornalistas que o estado de saúde de Karol Wojtyla não se tinha alterado e que, por isso, se mantinha «gravíssimo».

João Paulo II sofria de uma infecção urinária que desencadeou um choque séptico e um colapso cárdio-respiratório que agravaram o estado de saúde do Santo Padre: «tinha começado a observar-se perda do estado de consciência», anunciou o porta-voz do Vaticano.

O Santo Padre recebeu ontem, durante a missa da festa litúrgica da Divina Misericórdia, o Santo Viático e, uma vez mais, o Sacramento da Unção dos Doentes.

«As últimas horas do Santo Padre foram caracterizadas por uma oração ininterrupta de todos os que o assistiram na pia passagem, bem como pela participação coral dos milhares de fiéis recolhidos há muitas horas na Praça de São Pedro», declarava o comunicado oficial do Vaticano.Eduardo Somalo, o cardeal camerlengo, procedeu ao ritual tradicional de bater três vezes na cabeça do Santo Padre com um pequeno martelo de prata e chamar pelo seu nome de baptismo, antes da confirmação do óbito.

A morte do Papa foi anunciada ao povo de Roma, após ser confirmado o óbito. Leonardo Sandri, em nome do vigário-geral de Roma, o cardeal Camillo Ruini, fez o anúncio da morte às cerca de cem mil pessoas que se encontravam na Praça de S. Pedro.

A morte de João Paulo II foi comunicada pelo cardeal camerlengo ao deão do Sacro Colégio dos Cardeais, o alemão Joseph Ratzinger. Cabe a Ratzinger a convocatória do conclave e a comunicação oficial da morte do pontífice aos Estados com os quais a Santa Sé mantém relações diplomáticas.

O cardeal Ângelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano, entoou em seguida o "De profundis". O mesmo cardeal celebrou, esta manhã pelas 10h30 (09h30 em Lisboa), a missa da "Divina Misericórdia" em memória de João Paulo II.

As cerimónias fúnebres terão a duração de nove dias e o corpo será sepultado entre o quarto e o sexto dia após a morte. Os restos mortais de João Paulo II ficarão em câmara ardente na Basílica de S. Pedro, até ao dia funeral. Os elementos pertencentes ao conclave, 117 cardeais com menos de 80 anos que deverão reunir-se entre o 15º dia e o 20º dia após a morte do Papa, vão votar o substituto de João Paulo II.

O Percurso

Karol Wojtyla nasceu a 18 de Maio de 1920 em Wadowice, Cracóvia, tendo perdido a mãe aos oito anos. A invasão nazi da Polônia em 1939 levou ao encerramento da Universidade de Cracóvia onde estudava filosofia e três anos depois inicia, em segredo, os estudos se para tornar padre. Wojtyla foi ordenado em 1946, tendo viajado para Roma onde terminou os seus estudos. Doze anos depois tornava-se o mais jovem bispo polaco. Em 1964 é promovido a arcebispo de Cracóvia e, três anos depois, é feito cardeal pelo então Papa Paulo VI.

Karol Wojtyla foi eleito Papa a 16 de Outubro de 1978, tendo iniciado, seis dias depois, o terceiro pontificado mais duradouro da história da Igreja Católica. O pontificado de João Paulo II ficou marcado pela sua abertura ao mundo, pelas inúmeras viagens, pelo ecumenismo.

As reacções

O Governo da Itália decretou três dias de luto nacional pela morte do Papa, contados a partir de hoje, sendo o dia do funeral também dia de luto nacional.
Toda a comunidade internacional prestou homenagem a João Paulo II, expressando pesar pela sua morte.

Ariel Sharon, primeiro-ministro israelita, saudou hoje a memória de João Paulo II: «em nome do povo de Israel, exprimo o meu pesar e os meus pêsames pelo falecimento do papa João Paulo II, participando no luto de milhões de cristãos», acrescentando que João Paulo II «era um homem de paz, um amigo do povo judaico, que reconhecia a sua singularidade e que trabalhava para a reconciliação entre os povos». Sharon terminou a sua declaração afirmando que «o mundo perdeu um dos grandes líderes da nossa época».

Viktor Iuchtchenko, presidente ucraniano, anunciou, num comunicado da presidência, estar «profundamente entristecido» pela morte do papa, declarando que «a notícia trágica do fim da vida terrestre do papa João Paulo II encheu de uma tristeza inexprimível os corações dos ucranianos que rezavam pela sua saúde». «Perdemos um homem à escala planetária que pôs toda a sua vida ao serviço da humanidade e da Igreja, pelo que mereceu a graça de Deus e o respeito do mundo inteiro» acrescentou Iuchtchenko.

Vaclav Klaus, presidente da República Checa, enfatizou a figura de João Paulo II afirmando que Wojtyla «foi uma das personalidades mais significativas do mundo contemporâneo e um homem cuidadoso e sensível, que dedicou toda a sua vida aos ideais do amor ao homem, aos ideais da bondade humana, da humildade e ajuda aos necessitados».

O seu antecessor no cargo, Vaclav Havel, considerou João Paulo II como sendo «um homem magnífico com um grande carisma que teve participação decisiva nos destinos do futuro e na ordem política do mundo actual».

Também o presidente dos Emiratos Árabes Unidos, o xeque Jalifa bin Zayed Al Nahyan, lamentou hoje o falecimento João Paulo II, asseverando que este papa contribuiu para um maior entendimento entre o Islão e o Cristianismo: «estamos muito entristecidos pelo falecimento do Papa João Paulo II e em nome do Governo e do povo dos Emiratos Árabes Unidos exprimimos o nosso pesar aos membros da Igreja Católica em todas as partes do mundo». AL Nahyan acrescentou ainda que «nos seus esforços consagrados a promover a justiça, a paz e o amor entre os homens, João Paulo II foi uma antítese daqueles que apoiam uma dogmática e estreita interpretação da mensagem universal de Deus».

À semelhança do governo italiano, também o governo português decretou ontem três dias de luto nacional pela morte do Papa João Paulo II. O presidente da República, Jorge Sampaio, e o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Freitas do Amaral, serão os representantes portugueses nas cerimónias fúnebres.

«O Papa João Paulo II foi uma das figuras mais marcantes da história contemporânea, como é reconhecido universalmente, seja qual for o juízo que se faça da sua acção e do seu legado», descreveu Jorge Sampaio, proferindo ainda que Wojtyla foi um «adversário acérrimo do comunismo colectivista, também o foi do capitalismo egoísta, sem consciência humanista e sem solidariedade e de uma concepção do lucro como o grande fim da actividade humana».

O primeiro-ministro português, José Sócrates, declarou que «foi durante o seu pontificado que se reviu a Concordata entre o Estado português e a Igreja Católica em moldes mais actuais», lembrando «o empenhamento do papa nas causas dos direitos humanos e no diálogo entre civilizações, culturas e religiões».

Fontes: Lusa “1”, Lusa “2”, JN e Público

quinta-feira, março 31, 2005

Carrilho e Assis candidatos às câmaras de Lisboa e Porto



Manuel Maria Carrilho e Francisco Assis confirmados, ontem, como candidatos à presidência das autarquias de Lisboa e Porto, respectivamente.

José Sócrates indicou à direcção socialista os nomes de Carrilho e Assis para as câmaras de Lisboa e Porto, respectivamente, tendo a mesma direcção aprovado. Jorge Coelho, coordenador da Comissão Permanente do PS, confirmou os nomes de Maria Carrilho e Francisco Assis asseverando que tal decisão teve o apoio das respectivas concelhias.

Coelho admitiu a possibilidade de o PS fazer coligações à esquerda, nomeadamente com o Bloco de Esquerda (BE) e o Partido Comunista Português (PCP). O coordenador da Comissão Permanente do PS anunciou que o partido irá concorrer «preferencialmente sozinho», embora tenha deixado explícito também que, em Lisboa, o «BE teve mais votos do que o PCP» e que «o PS tem a ambição de ganhar as câmaras de Lisboa e Porto».

Após o anúncio de Coelho as reacções não se fizeram esperar, tendo havido sinais de descontentamento em Lisboa e de resignação no Porto, o que pode pôr em causa as coligações pretendidas para ambos os concelhos.

Contrariamente ao facto de as concelhias do Porto e Lisboa terem defendido outros candidatos, sendo em Lisboa o preferido Ferro Rodrigues ou até mesmo Jorge Coelho e no Porto Nuno Cardoso, Coelho referiu que Carrilho é «um excelente candidato e o melhor ministro da Cultura desde o 25 de Abril» e Assis é «o melhor candidato que o PS tem para ser presidente da Câmara do Porto».

«A nossa posição é conhecida», relembrou Raul de Brito, um dirigente muito próximo de Nuno Cardoso, acrescentando que «Cardoso já deu o apoio a Assis» e, portanto, participará na campanha.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, manifestou o seu interesse no esclarecimento e decisão final rápida relativamente ao tema da coligação por parte do PS: «nós não colocamos o Partido Socialista entre a espada e a parede, em termos de calendário», embora devido à «necessidade de afirmação do nosso projecto CDU, tendo em conta as dinâmicas de constituição das listas, dos contactos, todo um trabalho que é necessário realizar, penso que urge uma resposta do Partido Socialista».

Jorge Coelho revelou ainda que o PS já tem 80% dos candidatos e que, na próxima quarta-feira, a comissão autárquica analisará ainda outros casos, excepto o de Matosinhos, uma vez que o PS não aceita Palmira Macedo como candidata a esta autarquia. Ricardo Fonseca, um administrador da APDL próximo de Narciso é apontado como possível candidato por Matosinhos, conquanto Sócrates deseje uma «figura com visibilidade».

O PS/Porto apresentará, no dia 10, os candidatos ao interior do distrito em Marco de Canaveses.

Fontes: JN e Público