quinta-feira, abril 02, 2015

Não nos façam o funeral

António Costa assinou hoje, quinta-feira 2 de Abril, o último artigo de opinião enquanto Director do Económico. Disse Adeus como muitos outros o fizeram antes dele - neste e noutros meios de comunicação social - e como muitos o farão no futuro. Não saiu por entre uma autêntica "debandada" como muitos apregoam. Fê-lo em consciência. Mas mais importante do que os que saem são os que ficam. E são muitos os que ignoram as debandadas, as fugas, o que lhe quiserem chamar. São jornalistas, técnicos, assistentes, paginadores... que diariamente lutam e fazem o melhor que sabem para manter o prestígio da marca Económico.

A tarefa não é fácil e, por vezes, (vezes demais!) é ingrata. É preciso gerirem-se expectativas; motivar colegas e subordinados. Dizer-lhes que a crise não é exclusiva do Económico. Nem tão-pouco dos meios de comunicação social. Aquilo que choca não são os títulos dos artigos. É antes a forma como nos descrevem, como falam de um grupo (Ongoing) e esquecem os profissionais - de qualidade - que o constituem. Refiro-me aos que diariamente partilham a redacção do Económico e os estúdios do ETV. São muitos; são dedicados; são profissionais e, acima de tudo, são pessoas!

Saiu um director, mas ficam outros. Da mesma forma que a marca Económico - tal como outras - se foi alterando ao longo dos 25 anos de existência, também outras seguiram o mesmo caminho. Não é o fim. Pode ser o princípio de um novo caminho. Einstein dizia que é nas dificuldades que se encontram oportunidades. O económico terá defeitos mas também tem muitas qualidades, tal como os seus concorrentes.

O que não se aceita - que eu não aceito enquanto jornalista "desta casa" é que nos julguem todos por igual, sem direito a defesa. Que nos telefonem a pedir que confirmemos a saída de um director e que nos peçam pormenores sobre "a crise e a debandada" sem nos questionarem - muitos deles são meus/nossos amigos - se está tudo bem connosco; se o nosso cargo na empresa está em risco...

Posso estar enganado. Não sou dono da verdade absoluta e/ou universal. Sei, no entanto, uma coisa: no Económico, com ou sem debandada, continuam muitos profissionais competentes e dedicados que diariamente dão o seu máximo e fazem o melhor que sabem para informar, com qualidade, os seus leitores e telespectadores.

Dito isto, não nos façam o funeral. É feio. Ainda estamos vivos.

sábado, setembro 28, 2013

Quem é Oliveira Costa?

Para quem ainda não comprou e tem interesse. À venda nas principais livrarias.
Da editora Bnomics.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Número do dia: 4,891%

Há um ano o cenário era este: os juros exigidos pelos investidores para comprarem dívida nacional com maturidade a 5 anos estava nos, imagine-se, 23%. 

Há precisamente um ano os mesmos juros, mas para as Obrigações de 10 anos, chegava aos 17%.

Há um ano, o tema "regresso aos Mercados em 2013" era tabu e sinónimo de descrença. Em alguns casos até de ironia.

Um ano depois o cenário, que era hipotético (para alguns, muito hipotético!), concretizou-se. Portugal regressou ao mercado através de uma emissão sindicada (dirigida por quatro bancos) e pagou um juro aos investidores que é, perante aquelas que são as condições do mercado, bastante interessante. Positivo mesmo!

Os mais pessimistas dirão que este é apenas o início do caminho. Concordo totalmente. Mas é igualmente verdade que há um ano ninguém acreditava que o país pudesse regressar ao mercado em Setembro de 2013... muito menos em Janeiro!

Resulta esta operação do trabalho do Governo? Sim, mas não só. Portugal está a beneficiar de um alívio das pressões e dos receios em relação aos países periféricos da Europa. E também porque nesta fase os EUA estão a concentrar algumas atenções.

Concretizada esta primeira fase, importante, e depois de aberta esta porta, há que continuar o caminho com uma execução orçamental rigorosa, eficiente e eficaz. E alguma sorte, claro. É que se a Europa tiver alguma réplica sísmica, Portugal arrisca-se a sofrer um terramoto forte.

Ainda assim, e porque estes processos se fazem por etapas, o número do dia é este: 4,891%. É um bom número para começar!

terça-feira, novembro 13, 2012

Meine liebe Angela

Querida Angela,

Reuters
Sei que estiveste no meu país. Aliás, não só tive a oportunidade de ver-te na televisão como, também, de noticiar-te. Mas isso não interessa agora. Vamos ao que importa.
A tua visita de seis horas, segundo o cronómetro cá de casa, serviu para mostrares que "nos" queres ajudar a ultrapassar este momento difícil de uma crise que também te pode bater à porta. Mas se isso acontecesse não seria a mesma coisa... pois não?
A tua boa vontade é muito bem-vinda, assim como os investidores que trouxeste. As tuas palavras, de grandeza simples, protegeram as costas do "nosso" Primeiro-ministro. Mas no meio de toda a parafernália, parece-me que te esqueceste de alguns pormenores.
Como sei que te preparaste antes desta visita, deves provavelmente ter ouvido falar em vídeos que fizemos para te mostrar; soubeste, por terceiros, que trabalhamos mais do que os alemães; que temos menos dias de férias; que recebemos menos... e por aí fora. O resto da história já tu conheces bem.
Antes de continuar esta breve carta queria apenas lembrar-te que não pretendo, de todo, generalizar a TODOS os portugueses o que vou dizer a seguir. Mas tu conheces-me e sabes que não seria capaz de o fazer. Dito isto, chegou o momento de voltarmos aos "pormenores" que referia em cima e que me parece que te esqueceste!
A verdade é que este belo país ignora muitas vezes, se calhar vezes de mais, uma palavrão denominado por Meritocracia. Prefere, ao invés disso, privilegiar a cunhocracia, a interessocracia ou, em alguns casos, a estupidezocracia. E são estes os pormenores que talvez te passaram e que podem explicar, não tenho a certeza, o porquê deste país que até tem um sol e um mar tão belos não conseguir sair da cepa torta. Mesmo com a ajuda da Troika e com todas as imposições. Por esta altura deves estar a perguntar-te: "Mas que diabo, será que não há bons profissionais naquele país?". A resposta é fácil: são bons, mas muitas vezes não interessam porque não cumprem os outros requisitos. Tás a ver?
Percebes agora por que é que, antes de ti, já o Orson Welles ficava maluco com a incompetência? Ou por que é que o Oscar Wilde dizia que" aqueles que não fazem nada estão sempre dispostos a criticar os que fazem algo"?
O teu conterrâneo, o Einstein era meio pro radical, mas também dizia umas coisas acertadas. Por exemplo, que "o único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário"!
Percebes agora que é nos pormenores que, se calhar, este belo país falha?

Mit liebe,

HBM

quarta-feira, setembro 26, 2012

Sacrifícios para quê?

Há dias assim…
Em que o mundo parece que para.
Em que as horas passam devagar e o sol desaparece para dar lugar à chuva.
Dias há em que os mercados financeiros mudam de cor e começam a penalizar tudo e todos.
Semanas em que Portugal, debaixo de austeridade, sofre os ataques de baterias escondidas, de atacantes emboscados, desconhecidos.
Dias em que um gorila, de fato passado e peito feito, impede um jornalista de fazer informação e cala um jovem estudante que está, talvez com razão(!), insatisfeito com o estado do país.
São dias difíceis de austeridade, de sacrifício sobre o sacrifício. De dor sem queixas; de exigências sem rumo e sem sentido.
A luz ao fundo do túnel, como disse alguém recentemente, não é a da esperança mas antes a do comboio que vem de frente a alta velocidade.
O primeiro-ministro (o Primeiro de todos no país, o chefe de governo) cita Camões esquecendo-se que o tempo dos Descobrimentos faz parte de um passado, infelizmente longínquo.
Há dias em que se acredita que a Justiça é independente, neutra e racional… Dias em que os cidadãos exigem que os responsáveis por esta crise, tão familiar, sejam responsabilizados. Mas serão?
Dias em que os noticiários terminam da mesma forma que começaram.
E é por isso que vale a pena relembrar Camões (e os Descobrimentos). Não porque o primeiro-ministro o citou. Mas porque vale a pena lembrar que noutros tempos, noutras vidas, fomos pioneiros. Soubemos inovar.
“As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados.”
 


Os Lusíadas, I, 1

domingo, maio 27, 2012

Zona Euro por um canudo


"Todos queremos que a Grécia permaneça na zona euro" - Angela Merkel (19/05/2012)


Sem confiança, dinheiro ou perspectivas. É assim que a Zona Euro, uma união monetária (porque partilha a mesma moeda: o Euro), enfrenta o Presente sem saber como será o Futuro. E olvidando a divergência política. Trocando por miúdos… ninguém se entende porque cada líder defende os interesses do seu país.

Foi para isto que se criou a Zona Euro? Da teoria ao papel e do papel à prática, o globo e a própria região do Euro deram muitas voltas. Podem os mais cépticos dizer que a Crise, ela pois!, deu a volta aos políticos, aos economistas, aos denominados Especialistas. Só acertaram aqueles que, como Nouriel Roubini, foram proferindo uma afirmação a cada movimento de rotação da terra. Os outros limitaram-se a acertar… ao lado!

Contágio? Nem pensar. Não faz sentido falar disso. Se acontecer um cataclismo ficará circunscrito à Grécia. Os outros países, como Portugal, Espanha e até Itália, estão protegidos. “Os líderes Europeus estão connosco” trazem os ventos do Governo. Dizem os próprios citados. Na prática? Cada “país pedinte” (e já são três: Grécia, Irlanda e Portugal) deve resolver os seus problemas mesmo que para isso crie mais problemas. São juros elevados, prazos curtos e uma maratona de medidas austeras que obrigam o “atleta” (já de si cansado) a correr 40 km em sprint.

E por que deixam os líderes que as situações se tornem de emergência? De urgência? De falta de soluções? Faz sentido falar de Eurobonds (emissão conjunta de dívida dos países do Euro)? Alguns líderes, como François Hollande, defendem que sim. É uma forma de homogeneizar os juros pagos por estes países. Evitaria que, por exemplo, Portugal pague juros de 4% sobre Bilhetes do Tesouro a 3 meses, enquanto uma Alemanha paga… praticamente zero. Mas a Alemanha de Angela Merkel garante que ainda não estão reunidas as condições para se avançar com esta “inovação”.

A verdade é que quanto à Grécia e aos gregos ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. Se deixam o Euro depois das novas eleições, a 17 de Junho, ou se optam por manter-se na moeda única… sendo que vão precisar de mais dinheiro de uma forma ou de outra.

A Irlanda parece ter os problemas, dentro do possível, sanados. Mas Portugal parece estar a navegar ao sabor da maré e da austeridade e com um novo pedido de ajuda no horizonte.

E nesta União Monetária pouco unida surge mais um país, que embora não tenha sido ainda auxiliado externamente, está a preparar-se para isso. Espanha e o governo precisam de dinheiro para auxiliar a Banca, a braços com activos imobiliários que colapsaram com a bolha que se criou no país. Como se não bastasse, há ainda as regiões autónomas que não são mais do que cofres vazios com contas para pagar. E são muitas: as regiões e as contas!

Cimeiras e opiniões à parte, o melhor é mesmo esperar para ver o que acontece. Entretanto, vai-se vendo a Zona Euro por um canudo.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

"Fui despedido"

v.t. Mandar embora com brandura ou não; dispensar: despedi a empregada. V.pr. Afastar-se, dizer adeus: despedir-se de um amigo; despedir-se da vida de solteiro.

É certamente a expressão mais vezes escrita nos últimos meses pelo media mundiais. Mais vezes ouvida na rádio, na rua, em casa! Vista diariamente um pouco por todo o lado. E ao contrário do significado na maioria das situações, os despedimentos não ocorrem "com brandura". São duros, inesperados, por vezes injustificados.

É a realidade do país e do mundo. Das empresas. Das pessoas. É uma luta desigual e pouco democrática. Por vezes justificada. Outras (vezes demais) sem sentido. E porquê? A resposta óbvia e mais vezes ouvida é já conhecida de todos: "É a crise!"

É verdade! É a crise. Mas é também a falta de rumo; a mediocridade da gestão que se faz; são desperdícios injustificados. A crise é aquilo que dela se faz. É a desorganização; a desorientação; a falta de conhecimento. É um caldo de muita incompetência e de algumas, poucas, situações que são verdadeiramente incontroláveis. Mas estas últimas são poucas. Não são argumento que per si valham e sejam justificação para tudo.

Despedir é um tsunami que varre as planícies e chega às montanhas com a mesma agressividade de um... dois, três... sete anos sem trabalho. É a depressão que mata, choca, aborrece. É a depressão que deprime e desgasta.

Não há crise sem despedimentos. Não deveria haver despedimentos sem crise, ou justificados apenas pela mesma. O que me leva a reflectir sobre a seguinte afirmação:

"A essência da propaganda está em levar as pessoas para uma ideia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbem completamente a essa ideia, de modo a nunca mais escaparem dela".*

É mais do que óbvio que os portugueses já se habituaram a esta "ideia". Não escapam dela, mesmo que o quisessem. É a vida de cada um. A realidade de todos. É o choque do choro surpreendido pela notícia. É o ambiente de pesar. São os cochichos. É a dura realidade. Necessária talvez, em nome das reestruturações, da maior competitividade. Da qualidade!

Para trabalhar é preciso ter ambição, qualidade, vontade. E já agora alguma sorte para não se ser mandado "embora com brandura".



*Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Hitler.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Concílio dos Deuses

Terminou o tão almejado Concílio dos Deuses, entenda-se dos líderes da Zona Euro, no Olimpo, que é como quem diz em Bruxelas.

Desta vez Júpiter (personificado nas figuras de Merkel e Sarkozy) convocou o encontro não por causa dos portugueses, ou pelo menos não apenas, mas devido ao sismo grego que assola a Europa.

Depois de mais de 10 horas de duras negociações, Baco, não o Deus do Vinho mas o George Papandreou, mostrou-se satisfeito. Tão satisfeito que esclareceu os gregos que o país conseguiu, com esta cimeira, fugir à "armadilha" do incumprimento. Se conseguiu ou não ninguém sabe. Logo se verá! Sendo certo que a Grécia e o seu governo não vão escapar, tudo indica, a uma observação atenta e permanente dos membros da Troika que prometem arrendar um apartamento em Atenas para os próximos anos.

A Grécia pode escapar do incumprimento. Mas os bancos e fundos que compraram dívida soberana do país vão perdoar 50% do montante comprado. O que dá um pouco mais de 100 mil milhões de Euros. Uma decisão que obriga a banca europeia a escavar 106 mil milhões de euros para recapitalizar-se... Deixando, como era de esperar, os bancos portugueses ainda mais aflitos: precisam de quase oito mil milhões de Euros.

Entre as boas notícias, se é que as houve neste concílio, está o reforço do armamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Passa a ter em carteira 1 Bilião de Euros, e não 440 mil milhões como acontecia até agora, e vai poder comprar dívida soberana nos mercados Primário (directamente aos países) e no secundário.

Os "Deuses Europeus" deixaram ainda em aberto a possibilidade do FEEF poder ajudar na recapitalização do sistema bancário.

O concílio, o décimo quarto em apenas 20 meses, terminou sem muitos dos pormenores que os "crentes" europeus e mundiais queriam e precisam conhecer.

Resta saber se os Deuses ficaram mesmo satisfeitos com este concílio ou se vão querer marcar um outro, quem sabe, para saber como vai o Olimpo da moeda única.



quinta-feira, outubro 13, 2011

Terramoto Necessário

Há muito que se previa que o país precisava de entrar nos eixos e mudar os vícios dos últimos anos (provavelmente décadas!).

Há muito tempo que, muitas figuras de relevo do país, alertavam para o fosso em que o país se encontrava.

Os portugueses podem ficar surpresos. Mas será que há razão para tanta surpresa? Eu diria que, mais do que surpresas, houve coragem esta noite.

O Primeiro-ministro anunciou um corte dos subsídios de Férias e de Natal para os trabalhadores da Função Pública que têm salários de pelo menos 1000€/mês. O mesmo se adequa aos pensionistas. Merece mais protestos? Talvez, mas é a solução depois de, repito, muitos anos de pura ficção política (tanto do PS como do PSD e CDS-PP).

Estava na altura de mostrar ao país e aos parceiros europeus que Portugal é um país exemplar. Se não é, ou não foi, deve tornar-se agora.

A austeridade, cada vez mais exigente, é infelizmente um mal necessário para todos. A coragem foi, sem dúvida, o destaque desta noite.

Aos mais reticentes peço que olhem para o exemplo da Grécia que está no fundo do poço.

As muitas exigências previstas no OE 2012 são males necessários. Mas podem representar o fim de um mau hábito nacional.

Os políticos, com responsabilidades na actual situação do país, deveriam ser chamados a responder pelo estado ruinoso em que deixaram Portugal. E é, mais do que as muitas medidas anunciadas, aquilo que mais me deixa revoltado com este país.

É por isso que este Orçamento era um Terramoto Necessário e previsível. A única surpresa deve-se ao facto de muitos terem preferido olhar para o lado... em vez de olhar para a frente.

P.S - Sr. Primeiro-ministro era escusado "obrigar" o sector privado a trabalhar mais meia hora por dia. É completamente desnecessário! Basta ir a uma qualquer empresa não-pública e percebe que, muitas vezes, os profissionais fazem muitas "meias-horas" por dia...

sábado, setembro 24, 2011

Chamem a polícia

Infelizmente o meu carro recebeu na última noite, e sem aviso, uma "visita" inesperada. Um ou mais cidadãos sem nada de útil para fazer decidiram conhecê-lo de perto sem convite. Levaram o pouco que havia no seu interior, incluindo a Via Verde, e estragaram-me o vidro.

Mas não é pelos estragos causados que escrevo estas linhas. Parece-me que este relato é importante pelo que se passou a seguir e que, a meu ver, podia (devia!) ser alterado.

Se o furto me deixou chateado fiquei... deprimido com a esquadra à qual me dirigi. Não pelos motivos e pelos estereótipo habituais. Fiquei deprimido porque à falta de condições do local juntava-se a falta de agentes. Um! É isso mesmo. Apenas um agente para tratar do que ia aparecendo.

Com respeito e educação, pediu-me desculpa e disse-me que iria ter que esperar bastante tempo porque tinha casos mais importantes para tratar... como o desaparecimento de um menor. Naturalmente, compreendi.

A falta de agentes, de policiamento, de segurança são uma realidade deste país que cada vez mais se parece com um cemitério abandonado. Provavelmente já terão visto um. É algo indescritível!

Mas voltando à história. Como estava com pressa decidi voltar à esquadra em questão durante a tarde. O cenário foi idêntico. Desta vez estavam dois agentes, igualmente simpáticos e receptivos, relativamente novos. Apresentei a queixa e, enquanto se tratava das questões legais, fui falando com os agentes. A falta de efectivos e de condições de trabalho foram o tema central da conversa. Nem sequer me falaram de salários! Apenas das situações a que não podiam atender.

Quando me preparava para sair chegou um terceiro agente que, fiquei a saber então, ia ficar a partir desse momento (cerca das 17:00) e até à uma da manhã sozinho (!) na esquadra.

Como é que é possível que um país supostamente desenvolvido, mesmo que em crise, possa pensar em projectos megalómanos sem antes pensar na segurança e no bem-estar dos seus cidadãos?

Para terminar este triste relato, e apenas como nota, os agentes garantiram-me que a criminalidade continua a aumentar a olhos vistos. Por isso... tenham cuidado!