quarta-feira, abril 08, 2015
quinta-feira, abril 02, 2015
Não nos façam o funeral
sábado, setembro 28, 2013
quarta-feira, janeiro 23, 2013
Número do dia: 4,891%
Há um ano, o tema "regresso aos Mercados em 2013" era tabu e sinónimo de descrença. Em alguns casos até de ironia.
Um ano depois o cenário, que era hipotético (para alguns, muito hipotético!), concretizou-se. Portugal regressou ao mercado através de uma emissão sindicada (dirigida por quatro bancos) e pagou um juro aos investidores que é, perante aquelas que são as condições do mercado, bastante interessante. Positivo mesmo!
Os mais pessimistas dirão que este é apenas o início do caminho. Concordo totalmente. Mas é igualmente verdade que há um ano ninguém acreditava que o país pudesse regressar ao mercado em Setembro de 2013... muito menos em Janeiro!
Resulta esta operação do trabalho do Governo? Sim, mas não só. Portugal está a beneficiar de um alívio das pressões e dos receios em relação aos países periféricos da Europa. E também porque nesta fase os EUA estão a concentrar algumas atenções.
Concretizada esta primeira fase, importante, e depois de aberta esta porta, há que continuar o caminho com uma execução orçamental rigorosa, eficiente e eficaz. E alguma sorte, claro. É que se a Europa tiver alguma réplica sísmica, Portugal arrisca-se a sofrer um terramoto forte.
Ainda assim, e porque estes processos se fazem por etapas, o número do dia é este: 4,891%. É um bom número para começar!
terça-feira, novembro 13, 2012
Meine liebe Angela
| Reuters |
quarta-feira, setembro 26, 2012
Sacrifícios para quê?
Que da ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes navegados.”
Os Lusíadas, I, 1
domingo, maio 27, 2012
Zona Euro por um canudo
"Todos queremos que a Grécia permaneça na zona euro" - Angela Merkel (19/05/2012)
Sem confiança, dinheiro ou
perspectivas. É assim que a Zona Euro, uma união monetária (porque partilha a
mesma moeda: o Euro), enfrenta o Presente sem saber como será o Futuro. E olvidando
a divergência política. Trocando por miúdos… ninguém se entende porque cada
líder defende os interesses do seu país.
A verdade é que quanto à Grécia e
aos gregos ninguém sabe ao certo o que vai acontecer. Se deixam o Euro depois
das novas eleições, a 17 de Junho, ou se optam por manter-se na moeda única…
sendo que vão precisar de mais dinheiro de uma forma ou de outra.sexta-feira, janeiro 20, 2012
"Fui despedido"
v.t. Mandar embora com brandura ou não; dispensar: despedi a empregada. V.pr. Afastar-se, dizer adeus: despedir-se de um amigo; despedir-se da vida de solteiro.
É certamente a expressão mais vezes escrita nos últimos meses pelo media mundiais. Mais vezes ouvida na rádio, na rua, em casa! Vista diariamente um pouco por todo o lado. E ao contrário do significado na maioria das situações, os despedimentos não ocorrem "com brandura". São duros, inesperados, por vezes injustificados.
É a realidade do país e do mundo. Das empresas. Das pessoas. É uma luta desigual e pouco democrática. Por vezes justificada. Outras (vezes demais) sem sentido. E porquê? A resposta óbvia e mais vezes ouvida é já conhecida de todos: "É a crise!"
É verdade! É a crise. Mas é também a falta de rumo; a mediocridade da gestão que se faz; são desperdícios injustificados. A crise é aquilo que dela se faz. É a desorganização; a desorientação; a falta de conhecimento. É um caldo de muita incompetência e de algumas, poucas, situações que são verdadeiramente incontroláveis. Mas estas últimas são poucas. Não são argumento que per si valham e sejam justificação para tudo.
Despedir é um tsunami que varre as planícies e chega às montanhas com a mesma agressividade de um... dois, três... sete anos sem trabalho. É a depressão que mata, choca, aborrece. É a depressão que deprime e desgasta.
Não há crise sem despedimentos. Não deveria haver despedimentos sem crise, ou justificados apenas pela mesma. O que me leva a reflectir sobre a seguinte afirmação:
"A essência da propaganda está em levar as pessoas para uma ideia de forma tão sincera, com tal vitalidade, que, no final, elas sucumbem completamente a essa ideia, de modo a nunca mais escaparem dela".*
É mais do que óbvio que os portugueses já se habituaram a esta "ideia". Não escapam dela, mesmo que o quisessem. É a vida de cada um. A realidade de todos. É o choque do choro surpreendido pela notícia. É o ambiente de pesar. São os cochichos. É a dura realidade. Necessária talvez, em nome das reestruturações, da maior competitividade. Da qualidade!
Para trabalhar é preciso ter ambição, qualidade, vontade. E já agora alguma sorte para não se ser mandado "embora com brandura".
*Joseph Goebbles, ministro da propaganda de Hitler.
quinta-feira, outubro 27, 2011
Concílio dos Deuses
Desta vez Júpiter (personificado nas figuras de Merkel e Sarkozy) convocou o encontro não por causa dos portugueses, ou pelo menos não apenas, mas devido ao sismo grego que assola a Europa.
Depois de mais de 10 horas de duras negociações, Baco, não o Deus do Vinho mas o George Papandreou, mostrou-se satisfeito. Tão satisfeito que esclareceu os gregos que o país conseguiu, com esta cimeira, fugir à "armadilha" do incumprimento. Se conseguiu ou não ninguém sabe. Logo se verá! Sendo certo que a Grécia e o seu governo não vão escapar, tudo indica, a uma observação atenta e permanente dos membros da Troika que prometem arrendar um apartamento em Atenas para os próximos anos.
A Grécia pode escapar do incumprimento. Mas os bancos e fundos que compraram dívida soberana do país vão perdoar 50% do montante comprado. O que dá um pouco mais de 100 mil milhões de Euros. Uma decisão que obriga a banca europeia a escavar 106 mil milhões de euros para recapitalizar-se... Deixando, como era de esperar, os bancos portugueses ainda mais aflitos: precisam de quase oito mil milhões de Euros.
Entre as boas notícias, se é que as houve neste concílio, está o reforço do armamento do Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Passa a ter em carteira 1 Bilião de Euros, e não 440 mil milhões como acontecia até agora, e vai poder comprar dívida soberana nos mercados Primário (directamente aos países) e no secundário.
Os "Deuses Europeus" deixaram ainda em aberto a possibilidade do FEEF poder ajudar na recapitalização do sistema bancário.
O concílio, o décimo quarto em apenas 20 meses, terminou sem muitos dos pormenores que os "crentes" europeus e mundiais queriam e precisam conhecer.
Resta saber se os Deuses ficaram mesmo satisfeitos com este concílio ou se vão querer marcar um outro, quem sabe, para saber como vai o Olimpo da moeda única.
quinta-feira, outubro 13, 2011
Terramoto Necessário
Há muito tempo que, muitas figuras de relevo do país, alertavam para o fosso em que o país se encontrava.
Os portugueses podem ficar surpresos. Mas será que há razão para tanta surpresa? Eu diria que, mais do que surpresas, houve coragem esta noite.
O Primeiro-ministro anunciou um corte dos subsídios de Férias e de Natal para os trabalhadores da Função Pública que têm salários de pelo menos 1000€/mês. O mesmo se adequa aos pensionistas. Merece mais protestos? Talvez, mas é a solução depois de, repito, muitos anos de pura ficção política (tanto do PS como do PSD e CDS-PP).
Estava na altura de mostrar ao país e aos parceiros europeus que Portugal é um país exemplar. Se não é, ou não foi, deve tornar-se agora.
A austeridade, cada vez mais exigente, é infelizmente um mal necessário para todos. A coragem foi, sem dúvida, o destaque desta noite.
Aos mais reticentes peço que olhem para o exemplo da Grécia que está no fundo do poço.
As muitas exigências previstas no OE 2012 são males necessários. Mas podem representar o fim de um mau hábito nacional.
Os políticos, com responsabilidades na actual situação do país, deveriam ser chamados a responder pelo estado ruinoso em que deixaram Portugal. E é, mais do que as muitas medidas anunciadas, aquilo que mais me deixa revoltado com este país.
P.S - Sr. Primeiro-ministro era escusado "obrigar" o sector privado a trabalhar mais meia hora por dia. É completamente desnecessário! Basta ir a uma qualquer empresa não-pública e percebe que, muitas vezes, os profissionais fazem muitas "meias-horas" por dia...
sábado, setembro 24, 2011
Chamem a polícia
Mas não é pelos estragos causados que escrevo estas linhas. Parece-me que este relato é importante pelo que se passou a seguir e que, a meu ver, podia (devia!) ser alterado.
Se o furto me deixou chateado fiquei... deprimido com a esquadra à qual me dirigi. Não pelos motivos e pelos estereótipo habituais. Fiquei deprimido porque à falta de condições do local juntava-se a falta de agentes. Um! É isso mesmo. Apenas um agente para tratar do que ia aparecendo.
Com respeito e educação, pediu-me desculpa e disse-me que iria ter que esperar bastante tempo porque tinha casos mais importantes para tratar... como o desaparecimento de um menor. Naturalmente, compreendi.
A falta de agentes, de policiamento, de segurança são uma realidade deste país que cada vez mais se parece com um cemitério abandonado. Provavelmente já terão visto um. É algo indescritível!
Mas voltando à história. Como estava com pressa decidi voltar à esquadra em questão durante a tarde. O cenário foi idêntico. Desta vez estavam dois agentes, igualmente simpáticos e receptivos, relativamente novos. Apresentei a queixa e, enquanto se tratava das questões legais, fui falando com os agentes. A falta de efectivos e de condições de trabalho foram o tema central da conversa. Nem sequer me falaram de salários! Apenas das situações a que não podiam atender.
Quando me preparava para sair chegou um terceiro agente que, fiquei a saber então, ia ficar a partir desse momento (cerca das 17:00) e até à uma da manhã sozinho (!) na esquadra.
Como é que é possível que um país supostamente desenvolvido, mesmo que em crise, possa pensar em projectos megalómanos sem antes pensar na segurança e no bem-estar dos seus cidadãos?
Para terminar este triste relato, e apenas como nota, os agentes garantiram-me que a criminalidade continua a aumentar a olhos vistos. Por isso... tenham cuidado!



