terça-feira, maio 01, 2007

O Silêncio

No meio de mais uma polémica a envolver a Câmara de Lisboa, desta vez com Carmona chamado a depor como arguido, eis que surge mais uma variável...o Silêncio. Parece estranho, mas é mesmo verdade. Se Carmona fugiu, em silêncio, melhor não fez o líder do PSD que, depois do dito silêncio, prometeu "falar a muito curto prazo". Coisas da política, sim, mas não só. Li num dos muito livros de Relações Públicas que estudei na faculdade - confesso que na altura os julgava inúteis - que o silêncio é a pior arma nas alturas de crise. Ora se julgar que isto não é uma crise no seio do município e do PSD está fora de hipótese, julgo mesmo que só pode ser um erro estratégico dos envolvidos.

O Exemplo Sócrates

Apesar das sondagens não reflectirem uma grande alteração na popularidade do nosso "Primeiro", é óbvio aos olhos de todos que o Silêncio que mediou a notícia das dúvidas quanto ao seu curriculum e a entrevista na RTP manchou a sua imagem. Os danos são para já difíceis de calcular mas a bala está lá - inegavelmente. A oposição, para além de não ter aproveitado o tal Silêncio, também ela não lida bem com ele. Definitivamente há algo a fazer e sem dúvida muito a ensinar sobre o "Silêncio".

segunda-feira, abril 30, 2007

Fábrica de Currículos

O caso UNI, para além de ter materializado a primeira nódoa negra na imaculada prestação do nosso Primeiro, chamou a atenção do país para outra realidade: o ensino privado em Portugal. Na década de 90 proliferaram pelo país verdadeiras "fábricas de currículos", aproveitando a liberalização do ensino superior privado. Ao Estado coube o papel de regulador na formação destas universidades, tarefa que incluiu a aprovação dos planos curriculares dos diversos cursos ministrados e a fiscalização de todos os certificados de habilitações emitidos. Assim está definido por lei.

Rudemente, podemos considerar a evolução do ensino privado português disforme, isto porque se por um lado temos universidades de créditos firmados como a Católica, por exemplo, por outro pairam pelo país peculiares organizações de ensino, cuja fiabilidade ninguém pode garantir. Com propinas que chegam aos 400€ mensais, são um acesso “fácil” ao El dorado da Educação e, sem grandes dificuldades, qualquer transeunte pode intitular-se de universitário, com muitos euros pelo meio, claro. Ora esta situação originou uma crescente onda de desconfiança em relação ao ensino que lá se ministrava, o que não impediu essas organizações com fins lucrativos de continuarem a crescer. Basta recordar o mau exemplo dado plas Universidades Aberta e Moderna.

O caso UNI prova que há motivo para suspeitar na actividade destas instiutições. O exame de american english (o inglês usado por Sócrates e que não corresponde à disciplina à qual foi avaliado – Inglês Técnico) enviado por e-mail a partir de casa e, como se não bastasse, com uma nota que está longe de ser a adequada à capacidade do aluno vem, no mínimo, deixar mais algumas dúvidas quanto à veracidade dos certificados de habilitações das "privadas". Os danos colaterais são inevitáveis e muitas instituições respeitáveis vão ser afectadas por este clima de desconfiança. Factos como secretarias a funcionar ao Domingo e trabalhos impressos em folhas com carimbos governamentais são actos inaceitáveis em instituições que se dizem de utilidade pública.

Falta de Moral

Quanto ao aluno José Sócrates, causa especial perplexidade a falta de ética do hoje primeiro-ministro. É regra comummente definida que os trabalhos para avaliação devem ser entregues numa folha onde, para além do nome do aluno, apenas pode constar, obviamente, a respostas às perguntas. O selo do ministério do ambiente é desnecessário e reprovável. Quanto à intencionalidade do acto só Sócrates pode responder, ficando as considerações pessoais para cada um de nós. Mais do que perguntas, os portugueses querem respostas de Mariano Gago, ministro da Ciência e do Ensino Superior e responsável máximo pela fiscalização das universidades privadas. Enquanto isso a "fama" das universidades particulares vai crescendo, dando razão às entidades empregadores que, salvo excepções que confirmam a regra, continuam a preferir os alunos provenientes do ensino superior público. Vá-se lá saber porquê!

quinta-feira, março 15, 2007

O primeiro dia... do resto da minha vida

O meu primeiro dia como estagiário teve um toque de nostalgia... daqueles tempos, enquanto miúdo, em que sonhava pisar, um dia, um terreno jornalístico real, onde se noticiasse o "país e o mundo". E assim foi. Nada de extraordinário, tudo de espectacular. Passo a explicar:

1º - Começamos bem cedo - eu e os meus dois colegas de casa, os dois "praças" -, pelas sete e meia da manhã já a casa ouvia os primeiros bocejares e os momentos matinais de ansiedade. No meu caso, por estranho que pareça até mesmo para mim, este estado de espírito não me afectou. Estive calmo desde o início até ao final.

2º - A chegada à SIC era aquela fase mais complexa em termos emocionais, ou não fôssemos nós meros estagiários. Depois de passado o torniquete da entrada tudo se revelou um tanto ao quanto familiar. Pelos corredores, pelos cenários, as caras conhecidas fluíam. O que até então eram vultos, símbolos de parte do jornalismo televisivo que se faz no país, passaram a ser figuras reais, de carne e osso, tal como nós, e, para melhorar as coisas, a trabalharem mesmo ao nosso lado.

3º - Um aspecto não menos importante foi a simpatia com que fomos tratados, tanto pelo pessoal das RH como pelos próprios colegas de profissão, ou de estágio. Pelos não muito longos corredores do edifício sucedem-se as portas que ora dão pa cenários, régies, salas de som, tradução, entre muitas outras.

4º - A mim cabe-me, nos próximos tempos, ficar na SIC on-line, enquanto que os dois "praças" estarão na Agenda. A decisão foi simples, com uma mera discussão decidimos a secção em que cada um de nós ficava. Ultrapassada esta estapa, dirigimo-nos para a redacção, carregada de secretárias, computadores e... gente conhecida.

5º - Hoje fiquei a conhecer, em traços gerais, aquilo que me espera nas próximas semanas. Agora, contrariamente ao que se passou nos dias que antecederam a "grande estreia", estou ansioso. O dia que agora acaba foi apenas o primeiro dia... do resto da minha vida. A ver vamos!

terça-feira, março 13, 2007

Há dias assim...

A Grande Crónica, digna de uma verdadeira aventura do Tim Tim, começou por levar-me para a cidade de Braga. Durante cinco anos fiz um pouco de tudo e um tudo de nada... Lá me fui desenrascando. Na verdade, o tempo que por lá passei foi interessante, stressante por vezes, bem passado na grande maioria das vezes.

A Grande Crónica abre agora um segundo capítulo, uma etapa um tudo nada mais complexa do que aquilo a que me habituei nestes últimos cinco anos. Espera-me o desconhecimento de uma profissão com a qual apenas sonhei. Há dias assim, em que acordamos e saímos para realizar uma frequência, mas também há aqueles em que nos levantamos para trabalhar - o primeiro dia de trabalho! Ansiedade? Poderia estar sob a sua posse. Não é o caso! Stress? Pra quê!?! Tenho andado a deambular pela minha nova cidade - Lisboa.

Há dias em que penso como será o primeiro dia de estágio. Há dias em que penso e aquilo que imagino é tão sobrenatural que a única coisa que me resta fazer é ignorar a minha fase nefelibata. E como numa guerra nunca se está sózinho encontrei mais dois "praças" nesta batalha unilateral - a nossa tentativa para agarrar o sonho. Há dias assim... Todos aos saltos pela casa, em frente aos computadores numa LAN improvisada, a pensar numa forma de ver a Sic Notícias de graça... Uns ansiosos, outros nem por isso, reina a boa disposição.

Há dias em que o messenger é a única forma de contactar com o "outro mundo", aquele que deixamos para trás quando iniciamos viagem. As guerras são mesmo assim: exigem deslocação de tropas. Por aqui, os três praças continuam a batalhar, ou melhor, a preparar a batalha que se avizinha. Há dias assim... Em que não se faz nada de específico, de prático, apenas de preparação.

O primeiro Praça, aquele que agora escreve, dá pelo nome de Hugo Monteiro - quer ser jornalista. O segundo Praça, novato nestas andanças de deixar a família, chama-se, desde o baptismo - efectuado por mim, "Conde" - Gonçalo Ferreira... Por incrível que pareça também quer ser jornalista. Pelo que me foi possível apurar... de desporto. O último Praça, uma senhora, tímida, encontra-se numa fase de "dura" ambientação, chama-se Joana Costa. É responsável pela manutenção da sanidade na guarita improvisada.

Há dias assim... Em que se escreve sem parar e só se pára para descansar. O messengar continua ligado, a LAN está a resistir aos sucessivos bombardeamentos da rede, os ânimos começam a acalmar. Aproxima-se a hora de entrarmos no "campo de batalha". Falta apenas um dia...

Há dias assim...


domingo, fevereiro 11, 2007

Referendo ou Eleições?



Os resultados do referendo sobre a despenalização do aborto saíram há pouco, mas o que mais me impressionou, apesar de ter votado NÃO e de não me considerar um mau perdedor nestes campos, foi o facto de algumas figuras públicas, políticas, ou lá o que lhe quiserem chamar, terem festejado a sua vitória. Ou melhor, devo reformular, festejaram a vitória dos seus partidos. É estranho, visto tratar-se de um referendo nacional, apartidário, pessoal.

Se realmente tal facto se verificar penso que não percebi patavina do que hoje se passou. O estranho é que, apesar das semelhanças existentes no logo do boletim com o BE (Bloco de Esquerda), eu não vi qualquer alusão a partidos...

É triste quando queremos fazer nossas as vitórias dos outros...

sábado, fevereiro 10, 2007

As razões do Assim Não de Marcelo Rebelo de Sousa



O referendo sobre o aborto e as suas, possíveis, limitações na perspectiva do professor Marcelo Rebelo de Sousa.

Vale a pena visualizar!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

World Press Photo 2007



A imagem é do fototógrafo norte-americano Spencer Platt e é a vencedora do concurso Worl Press Photo, referente ao ano de 2006.

O que se vê nesta fotografia? Nada mais do que as consequências dos bombardeamentos no Líbano, embora com uma particularidade: neste bairro xiita, a contrastar com a destruição, está um grupo de jovens, bem vestidos, num bom automóvel, apenas de passagem para verem o que se passou e, quem sabe, tirar umas fotografias.

Findada a descrição da imagem, resta-me, apenas como mera opinião, afirmar que esta é apenas mais uma das "gravuras" que mostram o enormíssimo desfasamento existente no mundo.

Aqueles jovens da fotografia viverão, possivelmente, num bairro próximo do que ficou destruído pelos bombardeamentos, mas o seu ar é de completa abstracção, como se nada daquilo que estão a vislumbrar lhes fosse próximo...

sexta-feira, janeiro 05, 2007

E agora? Um iraque democrático?



As minhas análises não estavam certas, contrariamente ao que pensava. Saddam Hussein foi mesmo morto e as imagens dos seus últimos momentos já correram o planeta graças à internet e aos telemóveis de 3ª geração.

Não quero, de todo, tecer grandes comentários ao sucedido e, muito menos, fazer prognósticos. Mas uma coisa é certa: a atitude de condená-lo à morte não foi a mais correcta. Porquê condenar quem mata com a morte? A verdade parece mostrar não mais do que um ciclo vicioso, a velha máxima do olho por olho, dente por dente. Ou, uma expressão que o Sr. Bush, essa figura... pública que "nada teve a ver com o sucedido", iria apreciar: ashes to ashes.

Devo dizer que já visualizei o video do enforcamento de Saddam e, em termos visuais, não há nada para se ver. Ouvem-se vozes, alcançam-se alguns resíduos de imagens na sua maioria desfocadas, mas pouco mais. Todavia, a nível simbólico este video é riquíssimo. A dignidade humana está com toda a certeza a perder o seu vigor. Diria até que estamos perante um grande paradoxo!! Dignidade naquele tipo de morte?? Com aquele tipo de gente a servir de carrasco? Então e o sr. Bush? Pelo que ouvi nos noticiários estava a dormir - contente, suponho - e o seu assistente não o quis acordar...

Quero apenas acrescentar que não tinha qualquer simpatia especial pelo sr. Saddam. Do mesmo modo, devo dizer que, além de achar o sr. Bush um ser muito pouco instruído, nada tenho contra ele.

Mas esperava, muito sinceramente, que tivessemos gente mais competente a governar países. Pensei que, por ventura, fossem dotados de alguma qualidade que os distinguisse de nós, comuns mortais, gente simples. Afinal, isto não passa de um circo... O mesmo circo de sempre... Apenas os palhaços mudam...

quinta-feira, dezembro 21, 2006

Personalidade do ano



A revista Time nomeou para personalidade do ano de 2006 todos os utilizadores da internet. Isto é, você, eu e todo um infinito de pessoas que partilham um mesmo canal: a worl wide web.
Veja aqui o artigo.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Morreu o jornalista Ed Bradley



O mundo do jornalismo perdeu hoje um dos seus grandes profissionais.
Ed Bradley, o conhecido correspondente do programa "60 minutes" (60 minutos), da CBS, sucumbiu vítima de leucemia. Aos 65 anos Bradley deixa um grande legado. As entrevistas realizadas e as notícias escritas são apenas uma parte daquilo que ficará na história do jornalismo.

domingo, novembro 05, 2006

Condenar Saddam à morte? Que futuro?



Não pretendo nem sequer quero ser, de todo, hipócrita ou apático em relação ao que se passou hoje, mas gostaria de deixar apenas um apontamento.

A notícia chegou hoje aos noticiários, aos blogs, aos jornais, enfim, a tua o que comunica: Saddam Hussein foi condenado à morte por enforcamento. Sei-o, o mundo sabe-o. Saddam matou muita gente inocente. Foi frio, imperativo nos seus actos. Não olhou a causas ou sentimentos.

Os líderes mundiais, pelo menos alguns, já se pronunciaram. Bush, com a sua imagem típica, limitou-se a concordar em pleno com a sentença. A ministra dos Negócios Estrangeiros britânica seguiu o mesmo caminho, não acrescentando nada de significativo ao discurso de Bush. Zapatero acabou por ser o único a fazer um discurso mais cuidado e reflectido. Assumiu que a União Europeia não pactua com a pena de morte.

A questão que aqui se coloca é a seguinte: matar Saddam Hussein numa altura em que o Iraque está em plena guerra civil, onde todos estão revoltados entre si e contra tudo. Não é apenas a presença do "intruso", as tropas estrangeiras que se encontram no território, que originam bombas e mortos e feridos. Diferentes facções lutam entre si por uma hegemonia que, por vezes, não se percebe.

As manifestações foram instantâneas. A decisão da condenação saiu e, de pronto, as ruas encheram-se com cidadãos pro e anti Saddam.

A meu ver, e não sou analista político, seria mais favorável ao país, em termos sociais, políticos e, consequentemente, económicos não matar o ex-líder. Um asilo político, uma prisão, seja ela domiciliária ou de qualquer outro tipo, resolveria, na minha modesta opinião, um problema que vai crescer a curto prazo.

terça-feira, outubro 31, 2006

Todos nós temos dias maus

Comecei por não citar este título - que ficou mediaticamente conhecido na passada semana - pelo simples facto de esta ser uma expressão por nós tantas vezes usada.
Quem não ouviu já um colega, um familiar, um mero desconhecido afirmar veementemente: "Hoje tive um dia mau!". E, se olharmos meticulosamente, ou talvez não seja necessário tanto pormenor, para a actualidade, ela está a "romper pelas costuras" de tantos dias maus. Vejamos alguns exemplos:

1 - O Governo de José Sócrates teve uma semana que, à semelhança das tempestades que assoláram o país, fez tremer o governo, a liderança e, penso eu, a credibilidade do próprio José Sócrates. Em parte, o congresso do PS, ocorrido no passado fim-de-semana, serviu (e de que maneira) para apaziguar um pouco as hostes. Até ao momento, a coisa parece estar a funcionar bem. Eis um belo plano de comunicação, digno de um não menos belo gabinete de comunicação. A própósito, o próprio primeiro-ministro vai, ao que tudo indica - muito graças aos constantes deslizes dos seus ministros e secretários de Estado, assumir a comunicação estratégia do seu Governo.

2 - O caso de Miguel Sousa Tavares é particularmente curioso. O próprio escreve na sua crónica habitual no Expresso acerca do insólito acontecimento. Durante a passada semana um autor, anónimo, de um blog acusou o jornalista e escritor de ter plagiado uma obra supostamente sua no livro Equador. O livro, a meu ver, é deveras interessante, não só no contexto histórico como também ao nível do romance que deixa o leitor literalmente viciado. É triste mas existe. Isto é, não será um pouco patético reclamar por algo que se diz ser seu através do anonimato? Imagine-se que o próprio Miguel Sousa Tavares assume - hipotéticamente, claro - o plágio e que quer homenagear o seu "verdadeiro" autor e, no caso do anonimato, se vê impossibilitado de tal gesto de honestidade? Neste aspecto o jornalista tem razão quando diz que se se quiser acusar alguém de pedofilia, homicídio ou qualquer outro crime grave pode fazer-se sem que o lesado possa activar o seu direito de defesa.

3 - Por último mas não menos importante, o meu caso. É triste quando chegamos a uma altura da vida profissional, neste caso académica, e percebemos que andámos a incidir sobre determinado tipo de conteúdos quando deveríamos - deveríam-nos! - ter aberto outro horizontes, outros aspectos práticos que, só com recurso a profissionais, podemos tomar conhecimento. É precisamente o que está a acontecer, agora, a dois meses de ir para estágio, quando o curso tem a duração de 5 anos. Isto dá que pensar. Como referi no iníco desta pequena dissertação, todos nós temos dias maus e a verdade é que tal como há o direito a subsídios também nós temos direito a dias maus.